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Crítica: Tinha que Ser Ele?, de John Hamburg

16 / mar
Publicado por Ernesto Barros às 6:00

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Bryan Cranston e James Franco cara a cara em Tinha que Ser Ele. Foto: 20th Century Fox/Divulgação

Até se encontrar no personagem do canceroso professor de química Walter White, na série Breaking Bad, o ator americano Bryan Cranston era um coadjuvante daqueles que você via em todos os filmes e nunca lembrava o nome dele. Depois da série, Cranston virou protagonista e já conquistou uma indicação ao Oscar, no ano passado, pela atuação em Trumbo, em que interpretou o roteirista Dalton Trumbo, um ícone da luta contra o Macarthismo.

Mas nem tudo são flores na vida de um ator que chega ao estrelato. Por exemplo, Bryan Cranston teve que aceitar – naturalmente, por um excelente cachê – participar de filmes como a comédia Tinha que Ser Ele?, de John Hamburg, que estreia nesta quinta-feira (16/3) nos cinemas brasileiros. Nos créditos, o nome dele vem antes do de James Franco, o que significa que ele é o ator principal.

Só que não. Apesar de todo o seu talento, o ator não tem armas para enfrentar James Franco, um dos egos mais descomunais da atual Hollywood. Assim, ele é um escada para o personagem de Franco cometer bizarrices inimagináveis, abrir a boca para dizer muitas besteiras e uma quantidade de “fuck” que vai deixar o filme no mesmo time de O Lobo de Wall Street e O Verão de Sam.

O “ele” do título é o personagem de James Franco: o magnata dos games Laird Mayhew, que pretende se casar com Stephanie (Zoey Deutch), uma menina de 21 anos que saiu da friorenta Michigan e foi morar na ensolarada Califórnia, deixando para trás o pai, a mãe e um irmão menor. A pergunta “por que ele?” do título original é feita por Ned Fleming (Cranston) à filha, depois que conhece Laird pessoalmente e não concordar com nada do que ele faz ou diz.

A premissa do filme é basicamente esta: Ned, Barb (Megan Mullaly) e Scotty (Griffin Gluck) aceitam o pedido de Stephanie para conhecer Laird e viajam para passar o Natal em Los Angeles. Antes do encontro, na comemoração do aniversário de Ned, eles já tinham visto a bunda de Laird, quando ele atrapalha a conversa entre o pai e a filha. Trata-se de uma cartão visitas, afinal, o que vem a seguir é um coleção pesada de piadas grosseiras e escatológicas, como tantas outras que o cinema americano não cansa de fazer.

O acúmulo de cenas ultrajantes de Tinha que Ser Ele? é assustador. Algumas são bastante engraçadas, mas 99% é parecem saídas da boca de adolescentes. O que torna o filme insuportável é que o personagem de James Franco é excessivamente caricato e apelativo. No fundo, não obstante todo os palavrões, o filme é extremamente conservador e familiar. Uma bomba!


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