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Crítica: A Bela e a Fera, de Bill Condon

17 / mar
Publicado por Ernesto Barros às 6:00

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Cena de A Bela e a Fera. Foto: Disney/Divulgação

A geração que está beirando os 40 anos – e que assistiu na tela grande a renascença das animações da Disney ainda criança, no começo dos anos 1990 – vai regressar no tempo vendo a versão com atores de A Bela e a Fera, já em cartaz em 1,2 mil salas de cinemas do Brasil. Com alterações mínimas na trama, o diretor Bill Condon teve na animação uma espécie de rascunho classe A, na qual foi buscar inspiração e um modelo para sua visão grandiosa e eloquente de uma história que há dois séculos e meio cativa leitores e espectadores.

Mas um elemento unificador permaneceu intocável nos dois filmes: a trilha sonora de Alan Menken, que não teve sequer uma nota modificada. Seria um crime, obviamente. A Bela e a Fera, afinal, é um musical. Daqueles em que a música é o princípio, o meio e o fim. Roteirista de Chicago e diretor de Dreamgirls – Em Busca de um Sonho –, Bill Condon faz de cada sequência musical um colírio para os olhos.

No maioria da vezes, ele baixa guarda e copia os esquemas gráficos de Busby Berkeley, em Be Our Guest, um dos momentos mais visualmente excitantes do filme. Como todos os contos de fadas e histórias de princesas recontados pela Disney, A Bela e a Fera mistura o velho e o novo.

Graças aos efeitos gerados por computador, a fera (Dan Steven emprestou alguns movimentos e voz) muda de feição como se fosse o rosto de um ator de verdade. Belle, interpretada com vivacidade pela atriz britânica (nascida em Paris) Emma Watson, tem a beleza simples de uma camponesa do século 18 com o ímpeto reformista de uma jovem moderna. O amor pelos livros e o repúdio ao assédio de Gaston (Luke Evans), um brutamontes machista, são atitudes das mulheres de hoje. Para confirmar que a Disney acompanha a marcha do tempo, o personagem LeFou (Josh Gade) foi desenhado como gay mais pela sensibilidade do que pelos trejeitos.

Todos esses detalhes acabam por conquistar tanto os fãs da animação quanto a plateia que já foi fisgada pelo trompe l’oeil do 3D. Apesar de convertido – ou seja, não foi filmado com câmeras 3D –, o resultado é surpreendente. A arquitetura do castelo garante uma profundidade quase natural das cenas. Há momentos inspirados, entre eles o plano aberto que permite a Lumière conversar com Belle por meio de um reflexo de espelho. Um belo filme com a marca inigualável da Disney.


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