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Crítica: Vida, de Daniel Espinosa

19 / abr
Publicado por Ernesto Barros às 6:30

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Jake Gyllenhaal e Rebecca Ferguson em Vida. Foto: Sony Pictures/Divulgação

Pode ser mera coincidência, mas também uma maneira de pegar uma carona no sucesso alheio. O longa de ficção científica Vida, que estreia nesta quinta-feira (20/4)  em circuito nacional, teria alguma originalidade se não existisse antes dele um filme inesquecível chamado Alien, o 8º Passageiro, realizado há 38 anos. Mas será que alguém acredita em coincidência mesmo, quando se sabe que, daqui a um mês, estreia Alien, Covenant, o novo filme do mesmo universo, igualmente dirigido por Ridley Scott?

Bem que Vida poderia ter se chamado Alien, o 7º Passageiro. A trama do filme é, tirante as mínimas diferenças, basicamente a mesma do roteiro escrito por Dan O’Bannon e Ronald Shusett: no espaço sideral, um grupo de cientistas são caçados como ratos por uma forma de vida criada no laboratório da nave, a partir de amostras coletadas no planeta Marte.

Além de Alien, o 8º Passageiro, Vida também roubou ideias de Gravidade, o inovador filme de Alfredo Cuarón, ao explorar a falta de gravidade dentro da espaçonave e os planos sem cortes. Essa colcha de retalhos, sem qualquer traço de originalidade, é percebida quando o cientista Hugh Derry (Ariyon Bakare) perde o controle de sua experiência, uma forma de vida cujo nome, escolhido por uma criança, numa transmissão de TV mundial, vem a se chamar Calvin.

Semelhante a uma espécie de larva marinha, a criatura, ainda bebê, demonstra força e esperteza descomunais. Depois de pôr Derry fora de ação, Calvin causa a morte do cientista Rory (Ryan Reynolds) numa ação novamente copiada de Alien, quando entra boca adentro do humano. Após esses dois ataques, com a forma alienígena, ainda em desenvolvimento, começa o jogo de gato e rato atrás dos quatro tripulantes que restaram: o japonês Sho Murakami (Hiroyuki Sanada), a russa Ekaterina Golovkina (Olga Dihovichnaya), a anglo-sueca Miranda North (Rebecca Ferguson) e o americano David Jordan (Jake Gyllenhaal).

Obviamente, qualquer espectador adivinha o que vai acontecer até o fim: Calvin vai caçar os membros restantes, demonstrando mais inteligência e crescendo como um mistura de polvo e traços do alien de O Predador, de John McTiernan. Apesar de bem desenhado, o alien digital é um nada quando compararmos com a criação do artista plástico suíço H.R. Giger no filme dirigido por Scott.

Embora Daniel Espinosa se esforce para conquistar a atenção do espectador, o suspense é quase nulo. Um dos momentos que mais depõe contra o filme é uma cena que o personagem de Jake Gyllenhaal toma o maior susto. Só ele. Por que, mesmo com o impacto da trilha sonora, o espectador fica imóvel na poltrona, sem mover um músculo sequer. Sua direção inepta, que se esconde por trás da boa fotografia de Seamus McGarvey, é típica dos produtos hollywoodianos cem porcento dependente dos efeitos especiais.

No final, os roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick, famosos pelas piadas de Deadpool, tentam dar uma virada de mestre no último minuto do segundo tempo. Mas esperteza tem hora, né?


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