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Crítica: Paixão Obsessiva, de Denise Di Novi

20 / abr
Publicado por Ernesto Barros às 6:49

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Rosario Dawson e Katherine Heigl numa cena de Paixão Obsessiva. Foto; Warner Bros./Divulgação

Aos 60 anos e uma grande experiência como produtora de Hollywood – colaborou com Tim Burton em seis filmes, além de uma vasta coleção de comédias românticas –, Denise Di Novi decidiu dar mais um passo em sua carreira – até agora bem-sucedida. A partir desta quinta-feira, ela também será conhecida como diretora de cinema: seu primeiro longa-metragem, o thriller Paixão Obsessiva (Unforgettable, 2017), estreia nesta quinta-feira (20/4) em circuito mundial.

Para quem tinha esperanças de que o tardio début de Denise traria algum novidade, é melhor não ir com sede ao pote. O filme é um decepção enorme, principalmente para uma produtora que sempre exigiu da indústria mais variedade nos papéis femininos, apesar de que, na prática, ela nunca foi assim tão exigente. Paixão Obsessiva só não é semelhante aos filmes que produziu porque ela trocou alguns ingredientes: no lugar da sacarina, um pouco de sangue.

A trama não poderia ser mais batida: Júlia (Rosário Dawson) muda-se para Los Angeles para casar-se com David (Geoff Stults), um empresário recém-divorciado. Em poucos dias, porém, a felicidade dela é ameaçada pela mentalmente instável Tessa (Katherine Heigl), a ex-mulher de David e mãe de Lilly (Isabella Rice), a filha do casal. O roteiro apela para todos os clichês possíveis nas armações da ex-mulher, desde os abusos com a filha até quando a suspeita de que Julia tem um passado suspeito.

O miolo do filme é uma sucessão ridícula dos problemas de Tessa, obviamente um gaslighting às avessas, como se ela fosse uma louca desde a mais tenra idade. Seria algo como um  Atração Fatal  tendo a mulher como vítima de outra mulhr louca. O desenho das personagens femininas são tão toscos que chega a ser vergonhoso como uma mulher com o passado de Denise aceitou fazer um filme desses. Julia, a personagem de Rosario Dawson, embora melhor construída, termina sendo a mulher forte que depende e defende o seu homem.

Naturalmente, sobra para Katherine Heigl a pior parte, pois ela precisa fazer pose de estátua para expressar a maldade e a loucura que a sua personagem exige. O máximo que ela faz é pentear os longos cabelos. Pronto, é muito dois mesmo. Os saudosistas, pelo menos, vão ter uma surpresa com a ponta da pantera Cheryl Ladd, como a mãe da personagem de Katherine.


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