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Crítica: It – A Coisa, de Andy Muschietti

07 / set
Publicado por Ernesto Barros às 11:46

Cena de It – A Coisa. Foto: New Line-Warner Bros/Divulgação

Se você é daqueles cinéfilos que corre para assistir às versões antigas dos filmes antes de ver as novas adaptações, não faça isso com It – A Coisa. Ao contrário deste filme, que estreia nesta quinta-feira (7/9) em circuito nacional, a versão da TV, produzida em 1990 e dirigida por Tommy Lee Wallace, não é apenas fraca como também um banho de água fria em quem pensa assistir à sua futura continuação. Sim, It – A Coisa terá uma continuação, nas não se quando quando.

Tirando essa recomendação, os fãs do terror podem ficar sossegados, pois It – A Coisa superou todas as expectativas. Com direção do argentino-espanhol Andy Andy Muschietti (do sucesso Mama, de 2013), o filme reúne inúmeras qualidades, além de manter-se fiel em espírito à obra original de Stephen King, que já pode ser colocada entre as suas melhores adaptações, no mesmo patamar de Carrie, a Estranha, O Iluminado, Christine e À Espera de um Milagre.

Com um olho preciso para ajustar sua visão a um público mais jovem, o time de roteiristas – que tem Cary Fukunaga, de True Detective, e Gary Duberman, de Annabelle, entre eles – acertou em cheio ao situar a trama nos anos 1980, de uma maneira que ela mantivesse algum parentesco com os filmes daquela época e do seriado Stranger Things, da Netflix, o qual já mostrava afinidades eletivas com a obra de King.

A partir dessas similitudes, o público é brindado com um filme assustador, perturbador e violento, que casa com perfeição ao clima desesperador do nosso tempo. O palhaço Pennywise (numa excelente interpretação do sueco Bill Skarsgard), que aparece logo nas primeiras cenas, traduz de maneira simbólica um medo ancestral – aquela sensação que se apossa dos seres humanos em momentos de grande aflição, quando nos tornamos presas fáceis para qualquer tipo de doença real ou imaginária.

Durante mais de duas horas, acompanhamos um grupo de sete meninos da cidade de Derry, no Maine (estado natal de King, onde grande parte de suas histórias acontecem), em luta contra um cotidiano massacrante, que varia do bullying ao racismo, da violência familiar ao abuso sexual. Autoapelidados de perdedores, eles acabam se juntando, por amizade ou acaso, para se apoiarem e lutarem contra seus medos.

Além desse terror doméstico, os meninos parecem ser os únicos a se importarem com uma crescente onda de assassinatos de crianças e jovens da cidade. Se o medo real – representado por pais distantes e doentes, pelos horríveis colegas mais velhos da escola e autoridades relapsas –, termina por fortalecer as crianças, o imaginário torna-se uma situação limite para todos e até para o espectador.

Sem arrefecer na tensão e na violência, Muschietti não poupa os nervos de ninguém. Para conseguir realizar seus intentos, ele trouxe para o filme o diretor de fotografia coreano Chung-hoon Chung, parceiro frequente de Park Chan-wook (Old Boy, Lady Vingança, A Criada), que adiciona ao filme uma atmosfera inquietante e pouco vista no cinema americano recente.

Mas o It – A Coisa não seria nada sem seu sensacional time de atores-mirins, especialmente Jaeden Lieberher (Bill), Jeremy Ray Taylor (Ben), Sophia Lillis (Beverly) e Finn Wolfhard (Ritchie) – este último saído direto do elenco de Stranger Things. Um filme e tanto – prova de que o terror está em toda parte.


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