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Crítica: Extraordinário, de Stephen Chbosky

06 / dez
Publicado por Ernesto Barros às 21:22

Julia Roberts e Jacob Tremblay numa cena de Extraordinário. Foto: Paris Filmes

É sempre um risco – geralmente fadado ao fracasso – quando Hollywood pega um romance de sucesso e corre para fazer uma versão cinematográfica apressada sem as pessoas certas. Por sorte, nada disso aconteceu com a adaptação de Extraordinário, que estreia nesta quinta (7/12) em circuito nacional.

Graças ao ator-mirim Jacob Tremblay, um geniozinho que há dois ano já havia conquistado os corações dos cinéfilos em O Quarto de Jack, Extraordinário é um filme que comprova o poder que o cinema tem de comover.

O longa-metragem é uma adaptação do romance homônimo, escrito por Raquel Jaramillo, sob o pseudônimo R. J. Palacio, que se transformou em best seller em 2012. Trata-se da incrível história de Auggie (Jacob), um menino portador de uma deformação facial congênita que, depois de inúmeras cirurgias, aos 10 anos de idade é mandado pelos pais para frequentar uma escola, onde vai encontrar meninos de sua idade.

Mesmo vivendo numa bolha por toda a vida, Auggie nunca se acostumou com o seu rosto costurado. Em casa, vive com um capacete de astronauta, sonhando alto e na expectativa de conhecer os mistérios do mundo e ser aceito pelos seus irmãos, seus semelhantes, os meninos e meninas de sua idade.

Apesar dos cuidados extremos da mãe Isabel (Julia Roberts), do carinho do pai Nate (Owen Wilson) e da paixão da irmã Via (Izabela Vidovic), Auggie treme de medo em saber como o mundo ira recebê-lo. Mesmo sendo recepcionado por três futuros coleguinhas, instruídos pelo diretor para dar as boas vindas da escola, ele percebe a rejeição em cada olhar.

Extraordinário conta essa jornada de aceitação com muitos lances que o espectador conhece, mas a honestidade expressada pelos personagens e a direção sensível de  Stephen Chbosky (o mesmo de As Vantagens de Ser Invisível), opera um grande milagre. A estrutura narrativa é inteligente, sem qualquer traço de cerebralismo. Ao contrário de se fixar numa só voz, a narrativa é polifônica, com olhares intercambiáveis entre todos os personagens principais e Auggie, dos membros da família aos colegas da escola.

Mas o que deixa a todos paralisados é a pura emoção que emana das cenas em que Auggie tem a sua humanidade exposta na tela, quando sente a dor da mentira, quando percebe a naturalidade de quem o aceita.

O cinema, que nasceu como uma invenção sem futuro, é imbatível quando se transforma numa máquina de bons sentimentos. Muitos espectadores podem até torcer o nariz para histórias edificantes, mas Extraordinário é de uma felicidade incrível.

Isso aparece até nas pequenas cenas, como no encontro imaginário, ditado pela saudade, entre Via e a avó, interpretada por Sonia Braga. São três ou quatro tomadas das duas atrizes, sentadas na areia da praia de Coney Island, mas o suficiente para Stephen Chbosky conquistar o coração de qualquer espectador.


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