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Crítica: Star Wars: Os Últimos Jedi, de Rian Johnson

15 / dez
Publicado por Ernesto Barros às 13:53

Rey (Daisy Ridley), numa ceda de Star Wars:Os Últimos Jedi. Foto: Lucasfilms/Divulgação

Os fãs de primeira hora da saga Star Wars, que assistiram ao primeiro filme há 40 anos, não esperavam que aquela emoção tão antiga pudesse ser resgatada tanto tempo depois. Contagiante e empolgante da primeira à última cena, Star Wars: Os Últimos Jedi, escrito e dirigido por Rian Johnson, é o melhor filme do universo criado por George Lucas desde O Império Contra-Ataca, de 1980, com o qual tem parentescos óbvios (como o fato de ser o segunda de uma trilogia, mas também de chamar para a si mística do equilíbrio, da obra que vai manter-se como o fiel da balança entre o primeiro e o terceiro episódios).

Já em exibição em 1.332 salas de cinema, de um total de 3. 100 do parque exibidor brasileiro – nos Estados Unidos, são 4.100 com o longa em cartaz –, o oitavo filme da série pode superar os números superlativos de Star Wars: O Despertar da Força, realizado há dois anos por J.J. Abrams, que foi um estouro de bilheteria de US$ 936,6 milhões (mais de R$ 3 bilhões) nos Estados Unidos, um recorde, e US$ 1,1 bilhão (R$ 3,6 bilhões) no resto do mundo. Além de satisfazer as várias gerações de espectadores, Star Wars: Os Últimos Jedi recebeu uma aprovação de 94% das críticas indexadas no Rotten Tomatoes, o polêmico site americano que vem influindo no sucesso e no fracasso dos muitos filmes e que já foi alvo de repúdio de vários cineastas, entre eles Martin Scorsese.

Embora o marketing e a base de fãs da saga influam na recepção de um filme como Star Wars: Os Últimos Jedi, o que garante seu valor, necessariamente, é o que ele traz para a tela grande. O que é inegável é que dificilmente surgiria alguém mais adequado para continuar a jornada dos antigos personagens, criados por George Lucas, e do novos, da lavra de J.J. Abrams, do que Rian Johnson. O cineasta de 44 anos, cujo maior sucesso até então era a ficção científica Looper: Assassinos do Futuro, feito em 2012, mostrou-se um roteirista com completo domínio das inúmeras tramas do universo Star Wars, como também um diretor de grande fôlego para cenas de ação e de raro apuro visual, uma marca que ele deixa em sequências admiráveis, nas quais a cor vermelha magnetiza os olhos da plateia.

Sem dúvida que J.J. Abrams já havia reiniciado a saga com brilho e inteligência – após a trilogia dirigida por Lucas, que antecedia os eventos do início da saga –, porém Rian Johnson continua a história com mestria, justamente de onde Star Wars: O Despertar da Força havia terminado, para ir bem mais além A força da trama, que segue a jornada de Rey (Daisy Ridley) até Aach-To, o planeta onde ela se encontra com Luke Skywalker (Mark Hamill) para que ele lhe ensine os preceitos Jedi, mas que, na verdade, é a ponta de um novelo de ajustes familiares que inclui o passado do mestre e do seu discípulo Kylo Ren (Adrian Driver), filho da princesa Leia Organa (Carrie Fisher) e Han Solo (Harrison Ford), que se bandeou para o lado negro da Força, como o avô Darth Vader (Annakin Skywalker).

Além de pôr os pontos nos is dessa tragédia familiar, Os Últimos Jedi tem várias subtramas, que correm paralela às questões que envolvem Rey, Kylo Ren e Luke, montadas com engenhosidade e ritmo, em nada prejudicando o filme em seus generosos 2h32 minutos de duração. Nessas tramas, focadas na ação, na emoção e no humor – com o auxílio das figuras exóticas intergalácticas, acrescentadas desde O Retorno do Jedi, de 1983, que finaliza a trilogia do meio –, somos brindados com momentos excitantes ao lado de Finn (John Boyega) e Poe Dameron (Oscar Isaac), vindos do filme anterior, e de Rose (Kelly Marie Tran), que também serve à Resistência, e DJ (Benício Del Toro), um matreiro especialista em quebrar códigos eletrônicos.

Embora Os Últimos Jedi seja, em suma, um filme de escala épica, com a poderosa Terceira Ordem, do Supremo Líder Snoke (Andy Serkis), confrontando-se com a diminuta Resistência, que tem a princesa Leia como comandante, há momentos em que o suspense a ação são entrecortados por situações novas e surpreendentes – algumas nunca antes mostradas, como características dos Jedi e planetas virgens.

Um deles é a cidade-cassino de Canto Bight, que é visitada por Finn e Rose. Na primeira sequência, enquanto a câmara avança no salão, dá para ouvir acordes de Aquarela do Brasil, de Ary Barroso. Vale ressaltar, claro, que a trilha sonora do mestre John Williams nunca esteve tão poderosa. Entretanto, não há como não perceber que os destinos da galáxia não seriam os mesmos se os personagens femininos de Os Últimos Jedi não fossem tão importantes. Como era de se esperar, o filme é dedicado à atriz Carrie Fischer, que morreu quase um antes de sua estreia.

 


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