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Crítica: Cinquenta Tons de Liberdade, de James Foley

09 / fev
Publicado por Ernesto Barros às 5:00

Dakota Johnson e Jamie Dornan em Cinquenta Tons de Liberdade

Espezinhada pela crítica – majoritariamente masculina – e amada pelo público – totalmente feminino, fãs dos livros da britânica Erika Leonard (E.L.) James –, a trilogia Cinquenta Tons chega ao último capítulo com o longa-metragem Cinquenta Tons de Liberdade, já em cartaz em 1.500 salas de cinemas do Brasil, onde é um sucesso estrondoso desde o primeiro filme, lançado há três anos, que levou 500 mil espectadores para assisti-lo na estreia.

Apesar desse arranque inicial, os espectadores da trilogia vêm caindo a cada filme e o mercado acredita que o último pode ser o mais fraco de bilheteria. Dirigido por uma mulher, a também britânica Sam Taylor-Johnson, Cinquenta Tons de Cinza trazia o casal Anastasia Steele e Christian Gray em tórridas cenas de sexo, nas quais a personagem feminina parecia cair nas mãos de um predador sexual.

No entanto, ao contrário do que se esperava, Anastasia (na pele da assustada Dakota Johnson) via no milionário Christian Gray (Jamie Dornan) não apenas um homem pervertido, mas um cavaleiro traumatizado e necessitado de alguém que o amasse, ou mais do que isso, domasse seus demônios. Apesar de se esperar que Cinquenta Tons Mais Escuros, o segundo capítulo, fosse mais pesado, a entrada do diretor James Foley e do roteirista Niall Leonard (marido de E.L. James) tornaram o filme mais romântico, ainda que mais turbinado com as constantes cenas de sexo entre Anastasia e Christian.

James Foley e Niall Leonard estão de volta como as forças criativas de Cinquenta Tons de Liberdade, o que garante ao filme o mesmo tom do anterior. A trama já começa com a cerimônia de casamento de Anastasia e Christian, para só aos poucos ir seguindo a estrutura já conhecida de cada episódio, quando um vilão ameaça a felicidade do casal.

Desta vez, é o ex-editor Jack Hyde (Eric Johnson), antigo chefe de Anastasia na editora PSI, que a culpa por perder o emprego e tenta fazer com que ela pague por isso. As tentativas de suspense manobradas por James Foley são inócuas quase sempre, mas não se pode negar que ele se esforça em criar uma química entre Dakota Johnson e Jamie Dornan.

Talvez o mais interessante de toda a trilogia, especialmente desse capítulo final, é que há uma tentativa clara em explorar uma sensibilidade mais feminina do que masculina, com Anastasia impondo suas vontades, mas sem fazer com que seu fervor sexual e confiança em Christian diminuam.
Essa permanente interação carnal, numa busca de um prazer sexual permanente, até mesmo em meio ao perigo (exemplificada no sexo sôfrego quando Anastasia mostra que sabe pilotar um carro como ninguém), dá à trilogia um lugar de liberdade neste momento em que o sexo tornou-se um elemento perigoso.

Apesar desses aspectos positivos, a escolha de uma imagem publicitária, que faz com que tudo que esteja em cena pareça com itens à venda, até mesmo as dezenas de canções melosas que castigam os ouvidos da plateia, é o maior equívoco de toda a trilogia.


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