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Crítica: Megatubarão, de Jon Turteltaub

09 / ago
Publicado por Ernesto Barros às 17:23

Jason Statham foge do megatubarão. Foto: Warner Bros./Divulgação

Por cerca de meia hora o espectador não consegue ver que tipo de animal ataca submarinos e veículos subaquáticos de pesquisa no fundo Oceano Pacífico. Na primeira cena, quando um especialista em resgate é obrigado a abandonar alguns amigos para salvar a tripulação de um submarino, vemos apenas os rastros de sua violência. Até quanto o bicho volta a atacar uma base de pesquisas, organizada por um cientista chinês e bancada por um bilionário americano, só ouvimos sons de aço retorcido.

Esse segredo inicial é a maior sacada da produção sino-americana Megatubarão, dirigida pelo eclético cineasta Jon Turteltaub, que estreia nesta quinta-feira (9/8) em circuito nacional. A premissa é interessante, mas o filme vai se transmutar de ficção científica promissora para uma comédia para toda a família. Uma lástima, sem dúvida, porque desde que Steven Spielberg aterrorizou o mundo com seu esqualo assassino, em 1974, no indubitavelmente clássico Tubarão, qualquer filme com um bicho da mesma espécie já desperta arrepios em qualquer plateia. Pelo menos, há uma boa cena numa praia superlotada.

MEGALODONTE

Apesar de o recurso inicial funcionar como um bom filme de suspense, quando o gigantesco e inacreditável tubarão surge na tela o impacto não é tão forte. Há até mesmo um erro de montagem, numa sequência anterior à apresentação do tubarão, na qual Turteltaulb e seus roteiristas deixam que uma lula gigante roube a cena. Quando finalmente o tubarão fica à vista, todo o medo acumulado já foi para o espaço, e sua imagem indistinta, no fundo mar, se dilui na escuridão.

Quando ele fica à tona, a história é outra porque percebemos a escala do seu gigantismo. Afinal, trata-se do pré-histórico megalodonte, o avô dos tubarões e o maior predador que os mares já viram, cerca de 25 milhões de anos atrás. Ele é despertado pelos pesquisadores no fundo mar, num lugar mais fundo que as fossas marianas. Mas tanto embaixo quanto na superfície ele mostrar sua fuça, para perseguir a equipe de pesquisadores e acertar contas com o bilionário (o comediante Rainn Wilson) e o bíblico especialista Jonas (o simpático casca-grossa Jason Statham), que, se não é engolido por uma baleia, é quase comido pelo tubarão.

Mesmo que sua estrutura frankensteniana não ajude, o problema do filme é de outra ordem: foi formatado para uma multidão indistinta de espectadores, especialmente o voraz mercado chinês, que só aceita filmes de entretenimento atolados de efeitos especiais, doses insuportáveis de sacarina e personagens construtivos. A principal personagem feminina, uma cientista chinesa (a estrela Li Bingbing), mãe de uma filha adorável e tão pura quanto uma pérola, tem como maior dilema ser aceita pelo pai, que lhe deu uma educação rígida. Sua melhor cena é quando ela vai falar com Jonas e o encontra enrolado numa toalha. Para os chineses, isso deve ser o máximo insinuação sexual.

Desse modo, entra de tudo na salada de Megatubarão: humor familiar, sentimentalismo, diálogos rasteiros e uma montanha de clichês em disputa de igual para igual com as cenas de ação.


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