24
fev

Garota de 9 anos vende seus brinquedos para ajudar crianças com câncer

24 / fev
Publicado por Amanda Tavares às 14:40

Amanda Tavares – para o JORNAL DO COMMERCIO
A simplicidade e a calmaria da Rua Cândido Ferreira, em Massangana, Jaboatão dos Guararapes, foram incrementadas com cores, alegria e solidariedade há uma semana. Logo no início da Rua, na casa de nº 107, os portões abertos e muitos brinquedos, roupas e outros objetos expostos despertam a curiosidade de quem passa. À frente de tudo, uma menina de 9 anos. Ellen Celine de Araújo Chaves inaugurou, dia 17, um bazar no terraço de casa. O dinheiro arrecadado beneficiará crianças do Núcleo de Apoio à Criança com Câncer (Nacc), que acolhe crianças de Pernambuco e de outros Estados e funciona na Zona Norte do Recife.
Ellen aprendeu sobre empatia e amor ao próximo ainda muito pequena. Frequenta o Nacc – onde a avó, a artesã Gilvaneide Araújo, é voluntária há 10 anos – desde quando estava na barriga da mãe. Aos domingos, almoça e já fica ansiosa para sair de casa. As tardes junto às crianças abrigadas naquele espaço são as mais divertidas. “Elas são irmãs para mim. O Nacc é a minha segunda casa”, afirma, com convicção de gente grande.
O sonho de montar um bazar surgiu há três anos, segundo a mãe da menina, a autônoma Joana D’Arc de Araújo. “Desde que completou 6 anos, Ellen fala em doar brinquedos para vender e arrecadar dinheiro para ajudar no tratamento dos amiguinhos”, conta. A ideia vem do exemplo da mãe e da avó, que mantêm, ao lado de onde agora funciona o bazar infantil, uma lojinha com produtos novos (fabricados por elas) e seminovos (roupas, calçados, objetos de decoração de casa).
“Sempre incentivamos Ellen a ajudar o próximo, mas a forma como ela anunciou que ia montar o bazar nos surpreendeu”, diz a avó. No dia 1º, a garota viu uma tia-avó ser internada. O diagnóstico: leucemia, caso semelhante ao de muitas crianças com quem Ellen convive. Foram duas semanas de idas e vindas ao hospital e a parente não resistiu. “A morte da minha irmã impulsionou a vontade de montar o bazar. A tia-avó morreu na quarta-feira e no sábado ela começou a tirar os brinquedos do quarto e disse que ia começar a vendê-los”, explica Gilvaneide. “O meu sentimento é de alegria porque sinto que o que ensinei a ela e a minha filha hoje tem retorno”, orgulha-se.
Durante todos esses anos convivendo com vítimas de câncer, a garota coleciona histórias, algumas tristes. “Lembro de um dia em que uma menina gostou da minha maquiagem. Pedi à minha avó para comprarmos uma pra ela. No dia em que fomos levar, ela tinha morrido. Fiquei triste demais”, relata, destacando, em seguida, que prevalecem os momentos felizes. “As crianças de lá estão doentes, mas sempre me recebem com sorrisos. A maior lição que eles me dão é de alegria.”

VOLUNTARIADO

O Nacc funciona desde 1985 e dá apoio a crianças carentes em tratamento, oferecendo serviços como transporte, alimentação e hospedagem. A entidade depende de doações e da ação de voluntários. Para a presidente Arli Melo Pedrosa, o voluntariado é um “caminho sem volta”, pois quem se envolve com esse tipo de trabalho tem a consciência de que sempre pode melhorar. “Fazer o bem só faz bem: à alma, à saúde e ao crescimento espiritual”.
O bazar não tem data para acabar. Quem quiser fazer doações pode ligar para: 98649-5509.


Veja também