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Polêmica dos viadutos da Agamenon Magalhães chega ao fim

04 / abr
Publicado por Roberta Soares às 21:31

A polêmica chegou ao fim. Quase dois anos depois de lançar a construção de quatro viadutos transversais à Avenida Agamenon Magalhães como solução imprescindível ao bom desempenho operacional de parte do corredor de transporte Norte-Sul, a ser operado por BRTs (Bus Rapid Transit), o governo do Estado, apoiado pela atual gestão municipal do Recife, recuou, pelo menos neste momento, da decisão de erguer os elevados. Para o Estado, não houve recuo, apenas bom senso porque a construção dos viadutos traria grandes impactos para a mobilidade associada a outras intervenções que estão em curso. Para aqueles que há quase dois anos tentam mostrar que o transporte público não precisa de viadutos projetados para carros para ser eficiente, o recuo aconteceu, foi provocado pela pressão da sociedade pensante e representa uma vitória para a qualidade de vida na cidade, com menos concreto.

Interpretações à parte, o fato é que o chamado Ramal Agamenon do Corredor Norte-Sul começou a ser viabilizado ontem, quando a ordem de serviço da obra foi assinada pelo governador Eduardo Campos, e será implantado com os mesmos requisitos do projeto inicial: um corredor exclusivo, segregado do tráfego de veículos particulares, localizado nas margens do canteiro central da Agamenon Magalhães, com nove estações de embarque e desembarque sobre o canal, além de uma passarela de pedestres nas imediações do Shopping Tacaruna para atender comunidade carentes do bairro de Santo Amaro. Terá 4,7 quilômetros de extensão e ficará entre a antiga Fábrica Tacaruna, no limite do Recife com Olinda, e o Terminal Integrado Joana Bezerra, na área central da capital. A grande diferença é que não haverá mais os viadutos. E, sem eles, os ônibus de BRT terão que parar em mais cruzamentos da avenida, incluindo os quatro que seriam eliminados com a construção dos elevados. Por outro lado, a principal artéria da capital terá sua paisagem preservada.

Coube ao secretário das Cidades, Danilo Cabral, o “pai” dos viadutos da Agamenon Magalhães, tornar pública, antes mesmo do governador, a desistência do governo. O secretário, entretanto, fez questão de frisar que os estudos de impacto ambiental, de vizinhança e de circulação realizados pelo Estado – por recomendação do Ministério Público de Pernambuco, vale ressaltar – indicaram que os viadutos deveriam, sim, ser feitos porque trariam benefícios para o desempenho operacional do Ramal Agamenon. “Os elevados iriam potencializar a operação porque ao longo da Agamenon há pontos de estrangulamento. Eles existem, inclusive, ao longo de todo o Corredor Norte-Sul, que começa em Igarassu. É tanto que estamos construindo outros dois elevados no trecho. Mas houve uma reflexão conjunta do Estado com a Prefeitura do Recife de que não seria recomendável fazer os viadutos ao mesmo tempo em que tantas obras de mobilidade estão acontecendo na cidade, como as do Corredor Leste-Oeste e da Via Mangue. O Derby e a Avenida Conde da Boa Vista também terão que entrar em obras em breve e o impacto será ainda maior”, argumentou.

Para vestir o adiamento, o governo afirmou que, passadas as principais obras de mobilidade e iniciada a operação do Ramal Agamenon do Corredor Norte-Sul, há a possibilidade de o projeto dos viadutos voltarem a ser analisados. “A partir da conclusão, iremos voltar a estudar a proposta e, então, tomar uma decisão”, acrescentou Danilo Cabral. O governador Eduardo Campos, que discursou depois que o secretário anunciou a mudança de planos, evidenciou o bom senso do governo em optar por não construir os viadutos. Mas em seguida evitou os jornalistas e deixou para Danilo Cabral a missão de responder às perguntas sobre o recuo. “Optamos pelo que é consensual. E a construção do corredor é. Todos concordam. A implantação dos viadutos quase empana a discussão principal que é a qualificação do transporte público. Queremos discutir o que é fundamental, não o que é acessório. E o fundamental é o transporte público. Os viadutos são acessórios. Um governo tem que saber decidir, mas precisa, principalmente, ouvir. E nós mostramos que sabemos ouvir”, discursou Eduardo Campos.

 

A explicação do poder público:

 

 


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