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Metrô do Recife sem qualquer previsão de expansão

12 / mar
Publicado por Roberta Soares às 8:00

 

Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

 

O metrô do Recife, que completou 30 anos de operação nesta quarta-feira, não tem qualquer previsão de expansão. Nem sequer um projeto, mesmo embrionário, está sendo analisado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). Existe uma “malha metroviária dos sonhos”, projetada internamente por engenheiros do metrô, que duplicaria a presença do sistema na Região Metropolitana do Recife, mas não há qualquer embasamento técnico sério. Com ela, o metrô passaria dos 40 quilômetros atuais da rede elétrica (Linha Centro, com seus dois ramais, e Linha Sul, excluindo os 31 quilômetros da Linha Diesel, operada pelo VLT) para mais de 100 quilômetros de extensão.

 

A “malha dos sonhos” circulou pela internet em 2013, numa tentativa de forçar a discussão sobre a necessidade de ampliar o metrô do Recife. Em função da Copa do Mundo, na época o BRT (Bus Rapid Transit) era o modal escolhido para quase a totalidade dos projetos de transporte público urbano do País, incluindo dois dos principais eixos viários da cidade: os Corredores Norte-Sul e Leste-Oeste. “Aquilo na verdade foi uma provocação. Não se pode pensar na implantação de metrô sem ter certeza da demanda de passageiros. Já cometemos esse erro lá atrás, quando construímos o metrô. A Linha Sul tinha uma projeção muito maior de passageiros – estimava-se 250 mil passageiros em 2000 –, mas o governo federal optou pela Linha Centro, com uma demanda baixíssima, porque apostava no desenvolvimento da cidade naquela direção, o que não aconteceu”, alerta o professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Fernando Jordão, ex-ferroviário e especialista no tema.

 

Para o professor, o Grande Recife tem capacidade de receber novas linhas de metrô. “Os Corredores Norte-Sul e Leste-Oeste são dois exemplos. É preciso realizar pesquisas de demanda, mas há indicativos. Basta ver que os BRTs já nascem no limite por causa da capacidade de transporte. Um corredor que transporta até 25 mil passageiros/hora (em média 250 mil por dia) é considerado de capacidade média, se adequando ao BRT. Mas quando são de 35 a 40 mil passageiros/hora (entre 300 e 400 mil por dia), é necessário um transporte de alta capacidade. E esse transporte é o metrô. O mundo inteiro sabe disso. O que precisamos é de decisão política. Cabe aos governantes, incluindo prefeitos e governadores, brigarem pela expansão do metrô”, alerta Jordão.

 

Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

 

 

CUSTO METRÔ X ÔNIBUS

Fernando Jordão vai além e desconstrói o argumento bastante usado por gestores públicos e até especialistas em transporte de que os sistemas de metrô são muito mais caros do que os de BRT. Com base em números públicos da CBTU e do Grande Recife Consórcio de Transporte, ele ressalta que o metrô do Recife recebeu R$ 200 milhões de subsídios em 2014 do governo federal para cobrir o custeio do sistema.  A receita arrecadada foi de R$ 70 milhões, enquanto o custo total da operação foi de R$ 270 milhões.

 

Já o Sistema de Transporte Público da Região Metropolitana do Recife (STPP) recebeu ou vai receber subsídio do governo estadual no valor R$ 210 milhões. Situação provocada pela licitação das linhas.  “R$ 1,2 bilhão foi o custo do sistema por ônibus em 2014, mas a receita foi de R$ 960 milhões (uma média de R$ 80 milhões por mês). Ou seja, o governo teve que cobrir a diferença de R$ 210 milhões porque o sistema por ônibus está ficando cada vez mais caro. Há os custos com os terminais integrados e, agora, com a estrutura e os veículos BRTs. E isso porque não estamos considerando o gasto com a infraestrutura viária para os ônibus”, argumenta.

 

É preciso considerar que o metrô do Recife transporta 400 mil passageiros por dia, enquanto o sistema por ônibus responde pelo deslocamento de 1,7 milhão de pessoas/dia (2,1 milhões de passageiros em geral). “O custo da operação por ônibus é até barata para a quantidade de passageiros transportados, mas isso pode ser um sinal de alerta para a qualidade do serviço prestado. Defendo que a expansão do metrô permitiria transportar essas mesmas pessoas com mais conforto e rapidez, com um custo menor de operação. E essa expansão faria o passageiro feliz porque o que o usuário de transporte público quer são viagens rápidas. Mas é preciso que as novas linhas de metrô sejam implantadas onde há demanda. Não esqueçamos disso”, ensina Fernando Jordão.

 

 

 

 

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