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A fome com a vontade de comer. Mais uma greve de ônibus frustrada na RMR?

13 / jul
Publicado por Roberta Soares às 17:24

 

Fotos: JC Imagem
Fotos: JC Imagem


Lá vamos nós de novo. Mais um ano, mais um dissídio, mais um mês de julho com greve do transporte por ônibus na Região Metropolitana do Recife. Todo ano é a mesma coisa, não muda. Saiu Patrício Magalhães (presidente do Sindicato dos Rodoviários de Pernambuco por mais de 30 anos), entrou Aldo Lima – líder de fato, mas não de direito – e Benício Custódio – líder de direito, mas não de fato, eleito pela categoria porque Aldo não pôde se candidatar. Mas mesmo assim nada mudou e lá vamos nós novamente. É bom lembrar que a greve dos rodoviários do ano passado foi um fracasso como movimento. 75% da frota ganhou as ruas e a categoria perdeu ganhos quando a decisão foi parar nas mãos da Justiça.

Como em outros anos, em outras paralisações, a cena se repete:  de um lado, a categoria, que exige reajuste salarial (o percentual era de 30%, mas foi reduzido para  12%) como o faz qualquer trabalhador organizado sindicalmente e com força, e do outro o setor empresarial, que tenta reduzir ao máximo o aumento que possa vir a dar. Cada um com suas razões e necessidades. Observando tudo, omisso e protegido pelo histórico e conveniente discurso de que a relação entre patrão e empregado é algo privado, que não cabe à gestão pública intervir, encontra-se o governo de Pernambuco, leia-se o Grande Recife Consórcio de Transportes e a Secretaria das Cidades (a quem o Consórcio é subordinado). Posição cômoda, adotada por várias e várias gestões, com poucas exceções.

No vídeo abaixo, uma geral da greve de 2014

 

E no meio disso tudo, esmagada pela  briga entre patrão e empregado e pela omissão do poder público, está a população. Os 2,5 milhões de passageiros que dependem do ônibus para se deslocar. E, como sempre acontece, a situação será resolvida pela Justiça. Não é à toa que o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Urbana-PE) entrou nesta segunda-feira (13/7) com uma medida cautelar no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), com pedido de decisão liminar, ou seja, urgente, solicitando a presença de 70% da frota nas ruas. E rapidamente foi atendida pelo Tribunal. Pede, ainda, segurança da PM nas garagens e terminais para evitar atos de violência – vale lembrar que no movimento do ano passado um ônibus foi parcialmente incendiado.

 

Portanto, caro passageiro de ônibus e também de metrô – já que a greve atinge o sistema metroviário diretamente porque o mutila, deixa-o sem extensão -, prepare-se para esta terça-feira (14/7) ”

De Olho no Trânsito

Em 2014  – primeiro ano com a nova gestão sindical à frente dos rodoviários, embora ainda não empossada – o movimento dos motoristas foi um fracasso.  O impacto na população foi mínimo. A categoria demonstrou fôlego porque acabara de conseguir tirar do poder Patrício Magalhães, mas exigiu demais e quando a decisão foi para a Justiça, perdeu. O  Tribunal Superior do Trabalho (TST) reduziu o aumento concedido aos profissionais a 10% no salário e no tíquete de alimentação. Genildo Pereira, assessor de comunicação do Sindicato dos Rodoviários, argumenta que a frustração do ano passado é que está motivando a categoria a lutar. É esperar para ver.

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“A questão toda é a frustração com o que aconteceu ano passado. A categoria queria R$ 300 no auxílio alimentação e aumento de, pelo menos, 30%. Sabemos que, diante de outras questões, o valor é alto. Queríamos negociar. Mas eles só fizeram a reposição do índice inflacionário.  O jeito é fazer greve”, disse.

Este ano, as empresas ofereceram reajuste de 27% no valor do tíquete de alimentação, que passaria de R$ 188 para R$ 220. No salário, o aumento seria de 9,5%. Os motoristas de ônibus ganham, atualmente, R$ 1.765 e passariam a receber R$ 1993, os cobradores, que ganham R$ 812, receberiam R$ 889, e os fiscais, pagos por R$ 1.141, ganhariam R$ 1.239. Desde o início das negociações, no entanto, o objetivo da categoria é que o tíquete suba para R$ 300.  “As negociações estão encerradas já que a categoria optou pelo enfrentamento. Dessa forma, não temos como sentar em uma mesa para negociar. Agora, o reajuste será definido pela Justiça”, afirmou o presidente do Urbana-PE, Fernando Bandeira.


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