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Terminais do Corredor Leste-Oeste agonizam à espera de conclusão

18 / set
Publicado por Roberta Soares às 7:30

Pouca vigilância expõe a insegurança. Vigilantes precisam apelar ao vândalos com mensagens escritas à mão. Fotos: Roberta Soares
Pouca vigilância expõe a insegurança no TI da IV Perimetral. Vigilantes precisam apelar ao vândalos com mensagens escritas à mão. Fotos: Roberta Soares

 

A espera tem sido longa para os Terminais Integrados da III e IV Perimetrais, fundamentais à operação do Corredor de BRT (Bus Rapid Transit) Leste–Oeste. Duas estruturas gigantescas – são quase 20 mil metros quadrados de área – que têm sofrido com a degradação. Além do estrago comum às obras de engenharia paralisadas, as unidades têm sido invadidas por vândalos e viciados. Estão se transformando em reduto de ninguém. A pouca vigilância colabora para a situação. Pequenos furtos vêm sendo praticados e o uso das instalações como banheiro público e, principalmente, para a prática de sexo, é comum nos TIs incompletos. Equipamentos, aliás, caríssimos: juntas, as unidades totalizam um investimento de R$ 20 milhões de recursos públicos. E deveriam receber 100 mil passageiros por dia ainda antes da Copa do Mundo de 2014.

O mais grave é que os terminais estão quase concluídos. O TI da III Perimetral, localizado na esquina das Avenidas Caxangá e General San Martin, no Cordeiro, Zona Oeste da capital, tinha mais de 80% das obras finalizadas quando os trabalhos foram suspensos. Já o TI da IV perimetral, entre a BR-101 e a Avenida Caxangá, estava com mais de 60%. A construção foi paralisada nas unidades depois que a Construtora Mendes Júnior abandonou o contrato com o governo de Pernambuco, ao ser envolvida na Operação Lava-Jato, investigação de pagamento de propinas por empreiteiras em troca de benefícios públicos que a Polícia Federal vem realizando há mais de um ano.

O uso de drogas é frequente à noite. Nós ainda negociamos, pedimos que não entrem nas salas, que usem apenas a parte externa, tomada pelo mato. Mas entram. Já encontrei o pessoal transando nas salas abertas várias vezes”,

Itamar Soares, agente de segurança

 

A situação é mais crítica no TI da IV Perimetral. Com apenas um vigilante por turno, desarmado, a própria vigilância teve que se virar. Fez alertas aos possíveis ladrões escrevendo em pedaços de madeira e até nas portas. “Atenção todos: as salas estão vazias”, diz um dos recados. “BBC vigilância, não entre neste local”, diz outro. Madeiras foram pregadas nas janelas abertas para tentar minimizar os atos de vandalismo. “O uso de drogas é frequente à noite. Nós ainda negociamos, pedimos que não entrem nas salas, que usem apenas a parte externa, tomada pelo mato. Mas entram. Já encontrei o pessoal transando nas salas abertas várias vezes”, denuncia um dos agentes de segurança, Itamar Soares. No TI da IV Perimetral são mais de dez salas e cinco banheiros, todos já pré-equipados.

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O terminal da BR–101 tem uma aparência de total abandono, mas o cuidado é maior com o TI da III Perimetral porque, no caso de atos de vandalismo, o prejuízo é maior porque está com a estrutura praticamente concluída, faltando apenas a instalação de parte das telhas. Na unidade são oito salas e quatro banheiros.  Os dois TIs, inclusive, ficaram sem vigilância por quase uma semana recentemente. Até a última quinta-feira, os TIs tinham uma equipe de segurança composta por oito homens, que cumpriam escalas de 12h/36h, ou seja, um vigilante de dia e outro à noite em cada um dos terminais.

Mas eles retornaram aos postos da empresa porque a Mendes Júnior parou de pagar. Somente na última terça–feira à noite, por coincidência depois que a reportagem procurou a Secretaria das Cidades para falar sobre o problema, os agentes de segurança foram enviados de volta. “Nós estávamos prevendo que isso aconteceria, já que todo o contrato foi rompido. Mas já resolvemos o problema e temos garantida a vigilância para os próximos seis meses, que é o tempo que acreditamos ser suficiente para os TIs serem finalizados, junto com a retomada do Corredor Leste–Oeste”, afirma Ruy Rocha, secretário-executivo de projetos especiais da Secretaria das Cidades.

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PORTEIROS

A redução no quadro da vigilância patrimonial não está acontecendo apenas nos dois TIs do Corredor Leste-Oeste. Desde a semana passada os terminais integrados da Região Metropolitana do Recife perderam os porteiros. Os funcionários da Adlim tiveram os contratos terceirizados suspensos e, com isso, os TIs estão sem o segurança que evita a invasão da unidade. “É um grande risco. No TI da PE-15, por exemplo, até carros particulares estão entrando no terminal para fugir do congestionamento. Antes, eles usavam o corredor exclusivo, mas saiam na altura dos TIs. Agora, passam direto. O risco de acidentes e atropelamentos é grande”, lamenta um operador. As estações de BRT do Leste-Oeste, assim como as do Norte-Sul, não têm vigilância durante o dia desde que entraram em operação, há um ano. Há seguranças apenas à noite.

O Grande Recife Consórcio de Transporte, responsável pela gestão, explicou que o corte foi necessário dentro do pacote de contenção exigido pelo governador Paulo Câmara. “Custeávamos 182 profissionais para cuidar dos terminais integrados, entre vigilância, orientadores de fila, portaria e limpeza. Cortamos 114 pessoas e acertamos com os operadores que eles irão assumir esse custo. Foi uma medida necessária”, explicou André Melibeu, diretor de Operações do órgão.


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