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Pneus sem utilidade são usados para recuperar pavimento. É o chamado asfalto-borracha

14 / dez
Publicado por Roberta Soares às 9:00

 

Foto: Divulgação
Asfalto-borracha: além de eficiente, é ecologicamente correto. Fotos: Divulgação

 

Do Portal ABCR
(www.abcr.org.br)

 

Mais de 34 mil pneus inservíveis estão sendo reutilizados para a restauração do pavimento nos trechos de Minas Gerais  e Goiás da BR-050, administrados sob concessão pela MGO Rodovias, trabalho que será concluído até o fim deste ano. A expectativa é recuperar 58,75 quilômetros com o Tratamento Superficial Duplo com Asfalto-Borracha (TSD-AB), que utiliza em sua composição a borracha de pneus sem condições de rodagem.

O uso da nova tecnologia ecológica na recuperação do pavimento já ocorreu em Goiás, de setembro a novembro, em cinco trechos: do km 140,700 ao 143,550; do km 232 ao 240; do km 256 ao 265 e do 268,100 ao 276,500; totalizando 36,25 quilômetros de pista restaurados, nos quais foram utilizados 15.458 pneus “velhos”.

No trecho mineiro da BR-050, a tecnologia está sendo aplicada na recuperação de quatro trechos: do km 133 ao 136, sentido Sul; do km 137 ao 139, sentido Norte; 114 ao 116, sentido Norte, e 184 ao 188,5, sentido Sul; que somarão 22.5 quilômetros de pavimento, retirando de circulação cerca 19 mil pneus sem vida útil.

Os resultados dos primeiros quilômetros restaurados comprovaram que a alternativa utilizada pela MGO Rodovias representa um ganho de valor incomensurável para o meio ambiente.

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BENEFÍCIOS DA TECNOLOGIA

Maior durabilidade do pavimento, melhor aderência do veículo ao solo, mais eficácia na frenagem, menos trincas e formação de trilhas de roda são algumas das vantagens do Asfalto-Borracha. Outro ganho é a redução do passivo ambiental e de saúde causado pelo descarte inadequado dos pneus, que são prejudiciais à saúde pública, uma vez que acumulam água e, consequentemente, tornam-se lugar perfeito para a proliferação do mosquito da dengue.

Para composição do Tratamento Superficial Duplo com Asfalto-Borracha (TSD-AB), os técnicos usam o pneu triturado bem fino. “Cerca de 20% do pó de borracha é misturado ao cimento asfáltico de petróleo (CAP) e, depois, são acrescentadas as britas tratadas, que passam por um processo de secagem para tirar todo pó e água presente e, posteriormente, recebem revestimento do ligante asfáltico”, explica o gerente de obras da MGO Rodovias, João Batista Leite França.

A receita pode parecer simples, mas a aplicação de TSD-AB e manutenção dele com a camada final de rolamento, conhecida como SAM (Stress Absorver Membran), que auxilia a retardar a formação de trincas, requer todo cuidado. Por isso, para a aplicação do ligante asfáltico utiliza-se um caminhão-distribuidor especialmente projetado para o tratamento de restauração do asfalto.

França ressalta que “a primeira camada, constituída de asfalto-borracha, é distribuída a altas temperaturas (entre 180 e 190ºC), a segunda é com a brita ¾ de 19,5 milímetros, logo após é realizado o processo de rolamento. Na sequência é realizado o mesmo processo, apenas com a alteração do tipo de brita, que é a 3/8 de 9,58 milímetros”.

Todo esse processo atinge uma espessura de dois centímetros. Por dia são restaurados, em média, 1,5 quilômetro de faixa de rolamento. A durabilidade do TSD-AB varia de acordo com as condições da rodovia, a temperatura e clima da região, assim como a intensidade do tráfego. “Alguns estudos mostram que o pavimento com borracha pode durar até 5,5 vezes mais do que o asfalto comum”, diz o gerente de obras.


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