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dez

Ainda em busca da tecnologia nos ônibus

16 / dez
Publicado por Roberta Soares às 9:00

Lentamente, sistema da Etra começa a funcionar. Um único monitor está em funcionamento na Estação Guararapes do BRT. Fotos: Fernando da Hora/JC Imagem
Lentamente, sistema da Etra começa a funcionar. Um único monitor está em funcionamento na Estação Guararapes do BRT. Fotos: Fernando da Hora/JC Imagem

 

 

O ritmo ainda é lento e o contrato firmado há quase dois anos acumula atrasos, inclusive com o descumprimento de cláusulas que previam o seu cancelamento. Mas devagar, bem devagar, o sistema de informação dos ônibus que operam na Região Metropolitana do Recife, batizado com o nome pomposo de Sistema Inteligente de Monitoramento da Operação (Simop), começa a virar realidade e a chegar mais perto dos dois milhões de passageiros diários. Aproximadamente mil veículos estão com a operação acompanhada pelo Grande Recife Consórcio de Transporte (GRCT) há 50 dias e ao menos um monitor da nova tecnologia começou a funcionar na estação Guararapes do BRT (Bus Rapid Transit), repassando a previsão de chegada de linhas.

“Nós tínhamos que disponibilizar alguns recursos para a empresa, que não conseguimos. O principal deles foi o fornecimento da tecnologia móvel para uso do GPS. Por isso a responsabilidade é nossa”

Fernando Guedes, do GRCT

É pouco e o retorno das informações ainda apresenta falhas, com um delay de mais de cinco minutos em algumas situações. A reportagem acompanhou de perto: enquanto o BRT já estava próximo à estação, o sistema acusava que ele chegaria em cinco minutos. Mas representa o recomeço de um processo caro e traumático para o transporte coletivo do Grande Recife. Depois do vexame de ter que suspender o contrato por falhas operacionais em 2012, o governo do Estado conseguiu realizar uma nova licitação e, em janeiro de 2014, assinou um contrato de cinco anos com a empresa espanhola Etra, a mesma que opera o monitoramento dos ônibus do Transmilenio, de Bogotá (Colômbia), que transporta 1,6 milhão de usuários por dia, referência mundial do setor. Empresas já monitoradas pela Etra, segundo o GRCT, são os Consórcios MobiBrasil e Conorte, além da Transcol e da Globo.

Por enquanto, usuário recebe informação do sistema oficial e do CittaMobi, contratado pelos empresários há mais de um ano
Por enquanto, usuário recebe informação do sistema oficial e do CittaMobi, contratado pelos empresários há mais de um ano

Muitas das exigências do contrato, entretanto, foram cumpridas fora do prazo e outras ainda aguardam serem atendidas. Entre elas, a apresentação de um projeto piloto demonstrando as funcionalidades do sistema em pelo menos 150 dos 3 mil ônibus em operação, que deveria estar funcionando até junho de 204. Mas que só ficou pronto, mesmo assim com ressalvas, em dezembro de 2014.
Mesmo assim, sem apresentar o piloto, a Etra recebeu a quantia referente a essa fase – 20% do valor do contrato. Outras falhas também foram verificadas. O contrato previa a implantação de 100% do sistema em até 21 meses após a assinatura. Sendo assim, o prazo venceria em outubro de 2015. Até agora, já foram pagos à Etra R$ 8 milhões, embora a população ainda não usufrua do sistema de informação implantado por ela. Foram R$ 6 milhões em 2014 e 1,9 milhão em 2015.

Ônibus já estão recebendo os computadores de bordo, que repassam informações em tempo real
Ônibus já estão recebendo os computadores de bordo, que repassam informações em tempo real

O Grande Recife Consórcio, gestor do sistema de transporte e responsável pelo contrato com a Etra, argumenta que a responsabilidade dos atrasos é do governo do Estado porque as falhas partiram dele. “Nós tínhamos que disponibilizar alguns recursos para a empresa, que não conseguimos. O principal deles foi o fornecimento da tecnologia móvel para uso do GPS. Por isso a responsabilidade é nossa. Mas esse ano conseguimos avançar bastante. Quando assumimos a gestão, em janeiro, apenas 150 ônibus estavam sendo monitorados. Agora são 1.500 (a reportagem não conseguiu confirmar esse número com as empresas citadas). E apostamos que até março estaremos com tudo funcionando. Recebemos a promessa da Telebrás de que ela irá disponibilizar as fibras óticas para que a informação do Simop possa chegar às estações de BRT e aos terminais”, aposta Fernando Guedes, diretor de tecnologia do GRCT.

 

Em diversos terminais integrados do Grande Recife, como no de Santa Rita, painéis permanecem desativados à espera da tecnologia
Em diversos terminais integrados do Grande Recife, como no de Santa Rita, painéis permanecem desativados à espera da tecnologia

Enquanto o Simop não vinga, os passageiros do sistema BRT vão utilizando as telas do CittaMobi, sistema semelhante de informação contratado pelos empresários de ônibus há mais de um ano. Em todas as estações do BRT há monitores informando a chegada e partida dos veículos. As falhas iniciais foram corrigidas.

 

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