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jul

Recife ainda olha apenas para o carro, diz Ameciclo

16 / jul
Publicado por Roberta Soares às 18:30

 

Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem
Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem

 

Os ciclistas pernambucanos cansaram de esperar e partiram para o ataque. Realizaram uma análise da mobilidade por bicicletas no Recife e constataram que a atual gestão pouco fez, efetivamente, pelo transporte ciclável. Em três anos (2013, 2014 e 2015), o setor recebeu menos de 1% dos investimentos feitos para o transporte individual. Em três anos, a gestão Geraldo Julio investiu apenas R$ 656,4 mil na malha cicloviária da cidade. Por outro lado, gastou R$ 155 milhões pavimentando e recapeando vias. O documento foi produzido pela Ameciclo (Associação Metropolitana de Ciclistas do Grande Recife).

O levantamento parte do princípio de um inventário de emissão de gases de efeito estufa elaborado pela Prefeitura do Recife, apontando que 65,6% das emissões vêm do transporte e, desse percentual, 92% do automóvel. A partir daí, os ciclistas passaram a analisar as razões de a gestão municipal não priorizar o transporte ativo (não motorizado). “Verificamos que os argumentos de falta de recursos são fracos porque há dinheiro sim. O que não há é uma decisão política pela mobilidade sustentável. A prefeitura gastou R$ 232 milhões recapeando vias existentes e pavimentando novas, enquanto destinou apenas R$ 656 mil para a infraestrutura da bicicleta. E o que é mais frustrante: o orçamento para a bike como transporte foi pouco nesse triênio (R$ 1 milhão) e, mesmo assim, teve pouco mais de 60% cumprido”,
critica Guilherme Jordão, da Ameciclo.

 

 

O documento, em resumo, acusa a prefeitura de omissão intencional na execução do Plano Diretor Cicloviário (PDC), cuja elaboração custou R$ 840 mil aos cofres públicos do Estado e previa a implantação de quase 500 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas na Região Metropolitana do Recife até 2024, sendo 106 quilômetros somente no Recife. “Apenas 15,8 quilômetros foram implantados no triênio 2013-2015, representando 5,67% da meta de quilômetros estabelecida pelo PDC para a capital até dezembro de 2015. E das 12 rotas implantadas no Recife, apenas três seguem o plano diretor. Então para que o estudo?”, questiona Cezar Martins, também da Ameciclo.

A análise tinha como objetivo subsidiar a ação civil pública que o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) deu entrada contra a Prefeitura do Recife e o governo do Estado, na qual pede à Justiça que determine a antecipação do PDC de 2024 para 2018. Mas o material cresceu a partir das constatações feitas. “Foram 600 pedidos de informações oficiais realizados à Prefeitura do Recife. Quisemos qualificar e ampliar a discussão da falta de prioridade da prefeitura na promoção do transporte ativo, sob o enfoque da bicicleta. Parar de falar no achismo. Queremos contribuir com o debate público”, diz Jordão.

 

 

Confira a resposta da Prefeitura do Recife

“A Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) tem realizado diversas ações, com o intuito de promover a fluidez das vias em segurança, e já conseguiu reduzir em cerca de 25% os acidentes com vítima na cidade. Para tanto, a CTTU tem investido em fiscalização eletrônica, uma vez que 76 equipamentos foram implantados, desde 2014, inibindo o cometimento de infrações como avanço de semáforo, parada sobre faixa de pedestre e excesso de velocidade. Além disso, cerca de 348 orientadores de trânsito trabalham, diariamente, nos principais corredores da cidade, auxiliando condutores, ciclistas e pedestres, o que contribui para um bom compartilhamento do espaço público. Os cerca de 430 agentes de trânsito da Companhia também têm atuado para minimizar os efeitos negativos gerados pela má educação dos condutores, inclusive com operações especiais como o Bairro Legal e Estacione Legal, que coíbem os estacionamentos irregulares, com foco nos veículos sobre calçada. Juntas, elas já já registraram cerca de 200 mil notificações desde 2013.

A CTTU também ressalta o trabalho desenvolvido pelos engenheiros de tráfego, que já promoveram cerca de 75 intervenções no trânsito, sem a necessidade de obras, e que facilitaram o deslocamento das pessoas. Neste sentido, já foram implantadas cinco Faixas Azuis – corredores exclusivos de ônibus, que aumentaram, em média, 66% da velocidade dos coletivos, beneficiando cerca de 500 mil passageiros. Na segunda-feira (18), a Avenida Recife receberá a sexta Faixa Azul. No total, Recife possui cerca de 50 kms de corredor exclusivo para ônibus, sendo 29 kms implantados na atual gestão. Isso representa um aumento de cerca de 100% no número de quilômetros de prioridade
para o transporte público no Recife nos últimos três anos, passando de 20.51 km para 50,3 km.

 

Mapa mostra as rotas cicláveis permanentes (verde) e as móveis (vermelhas)
Mapa mostra as rotas cicláveis permanentes (verde) e as móveis (vermelhas)

 

Importantes corredores viários da cidade também ganharam câmeras de monitoramento. Hoje, são 112 equipamentos, ligados a uma Central de Monitoramento de Trânsito, que funciona 24h. Elas identificam pontos de retenções e outras interferências nas vias, como acidentes e protestos, e enviam viaturas ao local com mais agilidade. Também houve a requalificação da sinalização viária, com cerca de 4 mil faixas de pedestres novas, além de 6 mil placas de sinalização vertical. Para manter a rede semafórica da cidade sempre em funcionamento, a CTTU instalou 451 semáforos equipados com equipamentos nobreaks, que dá funcionamento de 4h a 6h ao dispositivo, em caso de falta de energia. Juntas, essas ações dão mais segurança aos pedestres, ciclistas e condutores.

Também foi investido em diversidade de modais, com a prospecção de 12 rotas cicláveis, em consonância com o Plano Diretor Cicloviário da Região Metropolitana (PDC/RMR). Até o momento, seis novas rotas cicláveis já foram implantadas, na Avenida Arquiteto Luiz Nunes, com 3.5 km, na Rua Marquês de Abrantes, com 1.9 km e na Antônio Curado, com 3.2 km, na Inácio Monteiro, com 1.1 km, na Antônio Falcão, com 1.7 km, na Via Mangue com 4 km e na Jardim Beira Rio, com 850 metros, totalizando 18 km. Assim, a Rede Cicloviária Complementar está sendo projetada de forma que as novas rotas cicláveis se conectem com as já existentes e com a Rede Cicloviária Metropolitana. Os projetos priorizam o atendimento aos bairros que abrigam polos de interesse, como parques, praças, mercados públicos e terminais integrados, criando pontos de conectividade entre esses equipamentos”.


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