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Faixas Azuis para os ônibus sem previsão de expansão no Recife

15 / fev
Publicado por Roberta Soares às 8:00

 

 

 

O Recife deu um salto de qualidade ao adotar as Faixas Azuis, a versão local para o sistema BRS (Bus Rapid Service) do Rio de Janeiro e de São Paulo. Do zero, pulou para quase 33 quilômetros de prioridade ao transporte coletivo por ônibus nas ruas da capital, aproximando-se dos cariocas, que têm 52,8 quilômetros de BRS. E em apenas três anos.

Mas além de a extensão ser pequena diante da quantidade de vias exclusivas para o transporte individual, desde julho do ano passado, quando o sexto corredor recebeu parcialmente o projeto – a Avenida Recife, importante ligação das Zonas Sul e Oeste –, nenhuma ampliação aconteceu. A promessa era de que outras sete avenidas da cidade seriam beneficiadas, entre elas a Avenida Antônio de Goes, no Pina (continuação do equipamento da Avenida Conselheiro Aguiar), mas não há qualquer previsão da Prefeitura do Recife para que isso aconteça. Pelo menos por enquanto.

 

 

Apesar de os 33 quilômetros representarem, como argumenta o município, um aumento de 100% na presença de faixas exclusivas na cidade, a tímida implantação de alguns trechos e a não-expansão das Faixas Azuis incomodam diante dos resultados positivos obtidos para o transporte coletivo e, principalmente, o baixo custo do projeto. Há corredores, como o da Avenida Domingos Ferreira – implantado em junho de 2014, depois da abertura da pista leste da Via Mangue –, em que a velocidade dos ônibus aumentou 118%. No corredor que teve o menor ganho, a Rua Cosme Viana, em Afogados, Zona Oeste, os coletivos aumentaram em 30% a velocidade comercial. São mais de 600 mil passageiros e 100 linhas de ônibus beneficiadas.

Em paralelo aos ganhos, pesa o pequeno custo de implantação das Faixas Azuis, estimado em R$ 20 mil o quilômetro, segundo informação da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU). Esse valor, é importante ressaltar, considera apenas a sinalização horizontal (pintura da via) e vertical (as placas indicativas de corredor exclusivo). No caso da instalação de fiscalização eletrônica, como é recomendado nos projetos de faixa exclusiva, o custo aumenta. Mas dos seis corredores viários do Recife que têm trechos de Faixa Azul, apenas um tem a fiscalização de 25 câmeras para 14 quilômetros de extensão (Avenida Mascarenhas de Morais, na Imbiribeira) e um conta com uma fiscalização parcial (Avenida Herculano Bandeira, no Pina, que integra o corredor da Domingos Ferreira).


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A CTTU, responsável pela implantação, gestão e operação das Faixas Azuis, não deu entrevista sobre as dificuldades de expansão. Por nota, lembrou o avanço que o órgão promoveu na implantação do projeto na cidade e garantiu que a implantação de novos corredores está em estudo. As avenidas que estavam na previsão são: Antônio de Goés (Zona Sul), Beberibe, Visconde de Albuquerque, Estrada Velha de Água Fria e Rua Cônego Barata (Zona Norte), Abdias de Carvalho e Estrada dos Remédios (Zona Oeste).

 

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LEIA A RESPOSTA DA CTTU NA ÍNTEGRA

A Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) informa que a implantação de faixas exclusivas para a circulação do transporte público é uma prioridade da atual gestão de trânsito. Desde 2013, foram implantados cerca de 33 quilômetros de faixas exclusivas nas avenidas Recife, Mascarenhas de Moraes, Herculano Bandeira/Engenheiro Domingos Ferreira, Conselheiro Aguiar, além das ruas Real da Torre e Cosme Viana. Esse número representa uma ampliação de mais de 100% nos quilômetros de faixas exclusivas para o transporte público que existiam na cidade até 2013. No total, as faixas azuis beneficiam, diariamente, cerca de 100 linhas de ônibus, que transportam mais de 600 mil passageiros.

 

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A CTTU informa também que, atualmente, está em fase de prospecção de novas rotas para a ampliação do projeto Faixa Azul. O intuito é analisar as vias que têm o maior potencial de receber uma faixa exclusiva para o transporte público. Entre os fatores analisados estão o número de linhas e de passageiros beneficiados, quantidade de paradas ao longo do percurso, frequência dos ônibus por hora/pico e quantidade de conversões à direita ao longo da rota.

Já em relação à implantação de equipamentos de fiscalização eletrônica nas faixas azuis, é importante destacar que a CTTU implantou 25 equipamentos nas vias onde foi identificado o maior desrespeito por parte do condutores, nas avenidas Mascarenhas de Moraes e Herculano Bandeira. A ação obteve o resultado esperado com uma redução de cerca de 70% no número de multas registradas desde a implantação da tecnologia, em 2015. Já nas outras vias onde foi identificado um menor índice de desrespeito, a fiscalização realizada pelas equipes de agentes de trânsito atende as necessidades de forma satisfatória, uma vez que, de forma geral, os condutores estão cada vez mais adaptados e conscientes da importância das faixas azuis.


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