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Metrô do Recife é menos ruim do que o sistema por ônibus, diz usuário

20 / mar
Publicado por Roberta Soares às 8:38

 

 

Menos ruim do que o ônibus. Essa é a avaliação do metrô do Recife feita pelos passageiros frequentes e registrada na pesquisa sobre a qualidade do transporte público da Região Metropolitana do Recife, realizada pelo Instituto de Pesquisas Uninassau. De forma geral, o metrô é considerado pontual, com uma infraestrutura razoável e uma tarifa, há seis anos no valor de R$ 1,60, avaliada como justa. Sob a ótica da insegurança, é visto como perigoso, mas bem menos do que o transporte por ônibus. Leva vantagem sobre ele. A sensação de medo, assim como acontece nos coletivos, também é maior do que as estatísticas.

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Embora um pouco mais da metade dos usuários tenha assumido o medo de andar no metrô do Recife (56,3%) e menos de 10% que já foram vítimas de assaltos, quase a totalidade (98,4%) teme a violência. Nos ônibus os números apontaram uma quantidade maior de vítimas diretas e indiretas e a sensação de insegurança era bem maior. “Não vou dizer que o metrô é seguro e bom, mas com certeza é muito melhor em todos os aspectos do que o ônibus. Sou usuária diária do sistema e gosto. Não troco pelo ônibus. Agora, precisamos de mais funcionários e seguranças nas estações”, diz Márcia Domingues, que todos os dia usa o metrô.

Em 2015 e 2016 o sistema pernambucano registrou alguns casos de violência explícita, com a morte de uma passageira e de ladrões, além da cena de uma passageira lutando com o assaltante num dos vagões, que teve muita repercussão nas redes sociais. Mas a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) fez mudanças na estratégia de segurança e pelo menos os números oficiais apresentaram uma leve queda em janeiro e fevereiro deste ano. “De fato, a pesquisa mostra que a sensação de medo é maior do que as estatísticas. Até porque começamos a dar respostas reais à desordem que existia no metrô”, afirma o superintendente, Leonardo Villar Beltrão.

 

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Os ambulantes, entretanto, continuam presentes no sistema, aproveitando o baixo número de seguranças nas estações. Na quinta-feira (16/3), por exemplo, eles reinavam na Estação Recife, exatamente no horário do pico noturno. Não havia funcionários no controle, ao ponto de eles removerem a grade que serve como bloqueio de acesso aos dois vagões rosas, de uso exclusivo das mulheres, implantados na Linha Centro.

 

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A avaliação razoável do metrô do Recife reflete, na visão da direção do sistema, a retomada do controle da operação iniciado no ano passado. Se a pesquisa tivesse sido realizada há um ano, quando o metrô estava sob ameaça de parar em alguns horários e fins de semana por falta de recursos de custeio, o resultado poderia ter sido bem diferente. “Ficamos satisfeitos com o resultado do levantamento. Mesmo que a maior parte das entrevistas tenha sido feita com passageiros da Linha Sul (veja os locais na arte), que tem uma operação mais tranquila e um público diferente. Ela mostrou que o usuário já percebe as mudanças que temos promovido no sistema, depois da retomada dos recursos para garantir a operação e os investimentos”, analisa Beltrão.

 

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Em maio de 2016 o metrô tinha R$ 51 milhões em caixa para o ano inteiro, quando o mínimo necessário eram R$ 82 milhões. O Ministério das Cidades conseguiu repor a diferença e ainda liberar R$ 62 milhões para investimentos. “E foi a partir de janeiro deste ano que começamos a fazer uso desses recursos, após vencer as etapas das licitações públicas. Mexemos na estratégia da segurança privada, adquirimos peças e equipamentos e fizemos ações importantes para a manutenção e boa operação do sistema”, reforça o superintendente.

RESPONSABILIDADE
Embora não tenha nenhum tipo de responsabilidade sobre o metrô do Recife, o governo de Pernambuco e a figura pessoal do governador Paulo Câmara foram apontados pelos passageiros entrevistados como os responsáveis diretos pelos problemas do sistema. Seja sobre a insegurança ou sobre a possibilidade de melhorias. A maioria dos usuários não sabe que o controle é do governo federal, através da CBTU. E muito menos que é o governo federal quem sustenta o metrô, subsidiando há três décadas, mais de 70% da operação. “Isso me surpreendeu e preocupou. Mostrou que nós precisamos reformular nossa comunicação para mostrar o papel da CBTU, do governo federal. Tanto para o que tem de bom, como o alto subsídio, por exemplo, como para os problemas”, diz Beltrão.

 

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