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Transporte público: a grande força da manifestação nacional

29 / abr
Publicado por Roberta Soares às 18:00

Fotos: JC Imagem
TI Joana Bezerra totalmente vazio. Por lá, deveriam passar 50 mil passageiros por dia. Fotos: Bobby Fabisak/JC Imagem

 

O grande vencedor da greve geral que parou o Recife e boa parte do País nesta sexta-feira (28/4), numa manifestação nacional contra as reformas trabalhista e previdenciária, foi o transporte público. Ele foi a estrela da festa, mostrando a força que possui no Brasil. A dependência que a sociedade tem dele. Sem transporte público, não vamos, não chegamos, não voltamos. Sem transporte público, não há educação porque o professor e o aluno não chegam à escola. Também não há trabalho, porque o trabalhador (em sua grande, grande maioria) não chega para trabalhar. Assim como não há saúde, porque os funcionários e os pacientes não chegam ao hospital. Também não há cinema, parque, lazer, diversão.

 

 

Quando os rodoviários resolveram aderir ao movimento, escancararam para a sociedade, passageira dos ônibus ou não, o poder que o transporte público tem no dia a dia.  É claro que foram os motoristas, cobradores e fiscais que personificaram a força do transporte coletivo ao promover a maior adesão da categoria em Pernambuco – e provavelmente uma das maiores do País – a uma paralisação trabalhista.

Jornalistas que, como eu, já cobriram inúmeras greves de motoristas no Estado, e pessoas que, diretamente foram afetadas por esses movimentos, vão concordar que nunca tinha acontecido algo parecido na Região Metropolitana do Recife. Já tivemos greves da categoria com enorme adesão, mas sempre havia algum percentual da frota de ônibus nas ruas. Mesmo que pequeno, era visto. Muitas vezes, o movimento começava forte nas primeiras horas da manhã, mas com o decorrer do dia os ônibus iam sendo colocados na rua. Nunca aconteceu como nesta sexta-feira (28/4): zero ônibus nas ruas. E durante todo o dia.

 

 

Quando se busca uma explicação para tanta adesão dos rodoviários, há diferentes explicações, expostas de acordo com a visão e o interesse de quem as cita. Os sindicalistas – leia-se o Sindicato dos Rodoviários de Pernambuco, o Conlutas, a Intersindical e a CUT, por exemplo – alegam que o movimento foi abraçado pelos rodoviários porque tocou a alma do trabalhador. Assustou o trabalhador diário, já tão cansado de brigar por melhorias salariais. E ainda ganhou um plus: a revolta pela retirada dos cobradores e a violência nos ônibus – o atual grande temor de quem usa o transporte coletivo urbano.

O setor empresarial, por sua vez, alega que a adesão aconteceu porque houve ameaças diretas aos trabalhadores, constrangidos pelos sindicalistas nas portas das garagens de ônibus. E há, ainda, quem não enxergou a manifestação como um grande ato no País, defendendo que o trabalhador não foi  ao emprego porque não tinha transporte. Independentemente da razão real para a adesão ou se você é a favor ou contra as reformas do governo Michel Temer,  a verdade é que os rodoviários deram um exemplo de cidadania e levaram a tiracolo o transporte público.

 

 

Por isso, a lição que se tira dessa manifestação nacional é que o transporte público move o Brasil. E, a partir dessa constatação, questiona-se por que, apesar de sua força, é tão esquecido e menosprezado no País. Por que o transporte público tem prioridade em menos de 20% do sistema viário das cidades, quando transporta mais de 80% da população? Por que não temos programas nacionais, estaduais e municipais de incentivo ao transporte coletivo? Ou por que ele ainda é visto como o modal dos pobres, dos que não têm opção? Por quê? E até quando?

 

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