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O exemplo que vem de Fortaleza

21 / maio
Publicado por Roberta Soares às 11:00

Malha cicloviária de Fortaleza cresceu mais de 200% em três anos. Fotos: Divulgação

 

Os cearenses são pretensiosos. Especialmente os fortalezenses. E eles têm razão de sobra para serem. Pelo menos no quesito da ciclomobilidade, ou seja, das ações voltadas para a mobilidade com o uso de bicicletas como meio de transporte. Em três anos, a malha ciclável da cidade cresceu 207%, pulando de módicos 68 quilômetros no fim de 2013, para 209 quilômetros no início de 2017.

 

Fortaleza deu um salto grande, de fato. A política voltada para a ciclomobilidade começou após a pressão da sociedade, ainda com os protestos de 2013, e vem sendo mantida, com a expansão da malha ano após ano. E beneficia o trabalhador que pedala, que usa a bicicleta como meio de transporte”,

Felipe Alves, da Associação de Ciclistas Urbanos de Fortaleza (Ciclovida)

 

Fortaleza é, hoje, a quarta cidade que possui a maior malha de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas entre as capitais brasileiras. Fica atrás apenas de São Paulo (498,4 Kms), Rio de Janeiro (441,1 Kms) e Brasília (420,1 Kms). Quando a comparação é feita a partir da malha viária da cidade – composta de 4.300 quilômetros –, a capital cearense sobe no ranking e vira a cidade com a terceira melhor relação de malha cicloviária por malha viária das capitais brasileiras.

 

 

E o que é melhor: a política voltada para a bicicleta tem funcionado na prática, não apenas nos números. E a confirmação não é da Prefeitura de Fortaleza, mas dos bicicleteiros e ciclistas que utilizam diariamente os equipamentos. Tanto os da capital cearense, como os pernambucanos que já conheceram de perto a evolução da ciclomobilidade fortalezense, como a Ameciclo.

“Fortaleza deu um salto grande, de fato. A política voltada para a ciclomobilidade começou após a pressão da sociedade, ainda com os protestos de 2013, e vem sendo mantida, com a expansão da malha ano após ano. E beneficia o trabalhador que pedala, que usa a bicicleta como meio de transporte. Hoje, as ciclofaixas – em sua maioria – atravessam a cidade inteira e, o que é mais importante que quem pedala, têm conexão entre si”, atesta o engenheiro de transporte Felipe Alves, que já integrou a diretoria da Associação de Ciclistas Urbanos de Fortaleza (Ciclovida), a Ameciclo dos cearenses.

 

 

 

 

Metas ousadas
Fortaleza tem o objetivo de se tornar a cidade mais ciclável do Brasil. E trabalha para isso. Hoje, há ciclofaixas nas áreas nobres e na periferia, a maior parte delas conectadas. E há metas semestrais e anuais de crescimento, como explica Gustavo Pinheiro, do Plano de Ações Imediatas de Trânsito e Transporte (PAITT). “Nossa meta é chegar a 524 quilômetros até, no máximo, 2030. Mas no ritmo em que estamos, em sete anos, ou seja, em 2023, alcançamos a meta. Para 2017, vamos implantar 50 quilômetros, dos quais, dez já foram feitos”, diz o engenheiro.

Sistema eficiente
O sistema de compartilhamento de bicicletas também vem funcionando bem em Fortaleza. Aliás, muito bem. O bikeshare cearense, batizado de Bicicletar, é hoje o sistema, proporcionalmente falando, mais utilizado do País. São 6,1 viagens por bicicleta por dia. Supera os mega sistemas do Rio de Janeiro e de São Paulo. “A preocupação da prefeitura em implantar a malha ciclável a partir das estações do Bicicletar foi o segredo. O olhar foi da bicicleta como meio de transporte e, não, apenas para o turismo. Essa foi a diferença. Há uma conexão com a malha”, confirma Felipe Alves, do Ciclovida.

 

 

Gustavo Pinheiro, do governo municipal, lembra que as estações do projeto Bicicletar – que na capital cearense é financiado pela Unimed Fortaleza – não têm mais de 500 metros de distância entre elas. “Também tivemos preocupação em instalar as estações de forma sequenciada para que sejam facilmente localizadas pelos usuários”, explica o engenheiro.

Novo sistema cearense
Enquanto a Região Metropolitana do Recife parou no tempo sem expandir o Projeto Bike PE, cada dia mais sucateado e ainda sofrendo a redução de estações, os cearenses só avançam. Criaram outro sistema de compartilhamento de bike, o Bicicleta Integrada, gratuito e de cunho social. Com o apoio de parceiros privados (Supermercados Extra, Indaiá/Unifor e Marquise, uma construtora local), instalou mega estações de 50 bicicletas cada uma, em oito terminais integrados de ônibus da cidade. O uso é gratuito e o ciclista pode permanecer com a bike por até 14 horas.

 

 

“Nossa proposta é que os passageiros do transporte público possam utilizá-las para fazer deslocamentos mais longos e, até, levá-las para casa. Também não há multa, já que não é cobrada taxa pelo uso. Quem extrapola o período, tem a utilização bloqueada. Para cada uma hora excedida, o uso fica suspenso por um dia”, explica Gustavo Pinheiro. Já são quase 4 mil usuários ativos no Bicicleta Integrada.

Transporte público também tem vez
Fortaleza também tem avançado na prioridade viária ao transporte público. Em 2013, eram apenas 3,3 quilômetros de faixas exclusivas para os ônibus. Este ano, segundo a prefeitura, já são 98,8 quilômetros. E o que é melhor: quase todos os corredores têm fiscalização eletrônica.


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