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BR-101, no Grande Recife, é a rodovia da vergonha

12 / jul
Publicado por Roberta Soares às 8:00

Fotos: Sérgio Bernardo/JC Imagem

 

“Isso aqui é uma vergonha. Diga ao governador”. O recado, aos gritos, foi dado à reportagem por uma motorista que passava no contorno urbano que a BR-101 faz da Região Metropolitana do Recife, ou seja, os 30,7 quilômetros compreendidos entre a Fábrica da Coca-Cola, em Jaboatão dos Guararapes, e o Terminal Integrado de Abreu e Lima, na bifurcação com a rodovia estadual PE-15. O trecho, pode-se dizer, está praticamente destruído. É como se não existisse. Quem passa por ele tem dificuldades em acreditar que está trafegando por uma estrada federal, a maior e mais importante do País. De fato, como resumiu a motorista, a situação da BR-101 no contorno da RMR está uma vergonha. A rodovia deve ser evitada por todos.

Em Aracaju, nós temos buracos. Aqui, é poço sem fundo. Perdemos praticamente uma hora da nossa viagem para percorrer um trecho de pouco mais de um quilômetro. Absurdo. Passamos pela verdadeira Faixa de Gaza numa parte (trecho da Muribeca, em Jaboatão). Nunca vi nada tão ruim”,

Rosana Santos, que saiu com a família de Sergipe para o Rio Grande do Norte

 

E as notícias não são boas para aquelas pessoas que precisam passar pelo trecho. A mais recente promessa do governo de Pernambuco – desde 2012 o Estado firmou convênio com o governo federal para assumir e viabilizar o projeto de restauração do contorno, orçado em R$ 192 milhões, sem sucesso – é de que estará iniciando as obras na segunda quinzena de agosto. A vantagem é que, agora, será de fato a reconstrução dos 30,7 quilômetros da BR e, não mais, apenas intervenções paliativas. Até porque 90% dos recursos estão na conta do governo de Pernambuco, à espera apenas de utilização.

“A Secretaria de Transportes recebeu a missão de destravar o convênio no fim do ano passado porque a Secretaria das Cidades não conseguiu. E foi o que fizemos. Destravamos o processo, realizamos uma licitação no modelo RDC (Regime Diferenciado de Contratação Integrada), no qual a empresa vencedora faz o projeto executivo e executa a obra, o que agiliza o processo. E estaremos começando os trabalhos entre o dia 15 e 31 de agosto”, garantiu o secretário interino de Transportes de Pernambuco, Antônio Cavalcanti Júnior. A empresa vencedora da licitação foi a Andrade Guedes e, segundo a Secretaria de Transportes, está finalizando o plano de ataque para informar qual trecho será o primeiro a receber a intervenção.

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Enquanto isso, garante Antônio Cavalcanti Júnior, será realizada uma ação emergencial para devolver a trafegabilidade nos pontos mais críticos do contorno pelo governo de Pernambuco e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT). Em nota oficial, o órgão federal confirmou a parceria, mas disse que irá atuar porque o Estado tem enfrentado dificuldade em garantir a manutenção da BR. Para a população, o prejuízo acontecerá com ou sem intervenção. Sem o tapa-buraco, a rodovia fica intrafegável. Mas, com ele, os congestionamentos são quilométricos.

“Eles não poderiam é deixar a rodovia chegar a esse estado. São mais de dez anos que a situação é a mesma. Passa o ano ruim e, quando chove, fica horrível. Parece rodovia sonrisal. A diferença são os pontos críticos que, embora sejam os mesmos, variam de ano para ano”, ironiza o ciclista Célio Francisco Gomes, flagrado pela reportagem tentando passar de bicicleta pela buraqueira. De fato, o que o ciclista afirma é verdade. Historicamente, os trechos mais críticos ficam na Muribeca (Jaboatão dos Guararapes), próximo ao Posto Padre Cícero, em Prazeres (Jaboatão), nas imediações da Vila dos Milagres, no Ibura (Recife), em Jardim São Paulo (Recife), e na Guabiraba (Recife). Atualmente, o trecho mais crítico é a Muribeca.

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O contorno urbano que a BR-101 faz do Grande Recife, entretanto, está todo ruim. Até os trechos que não estão totalmente esburacados, encontram-se em péssimo estado. E não estamos falando de buracos. São verdadeiras crateras, capazes de engolir motos e até carros, além de danificar seriamente a estrutura mecânica de carretas e caminhões. É um verdadeiro mar de buracos. Literalmente. “Em Aracaju, nós temos buracos. Aqui, é poço sem fundo. Perdemos praticamente uma hora da nossa viagem para percorrer um trecho de pouco mais de um quilômetro. Absurdo. Passamos pela verdadeira Faixa de Gaza numa parte (trecho da Muribeca, em Jaboatão). Nunca vi nada tão ruim”, afirmou a dona de casa Rosana Santos, resumindo a situação da rodovia. Rosana, o marido, a sogra e os filhos saíram de Sergipe e tentavam chegar a Natal (RN).


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