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BRT pernambucano sofre com a evasão de receita

04 / ago
Publicado por Roberta Soares às 8:00

 

Como se não bastasse todos os problemas de operação, os atrasos na conclusão dos corredores e os assaltos, o BRT pernambucano tem sofrido também com a evasão de receita, ou seja, com passageiros que entram no sistema sem pagar a tarifa. O problema não é exclusividade do BRT e atinge, há muito tempo, todo o sistema de transporte público da Região Metropolitana do Recife. Mas no caso do Bus Rapid Transit a evasão começa a assustar operadores e gestores e a provocar reações que estão descaracterizando ainda mais o sistema, como é o caso do modelo de bloqueios instalados na recém-inaugurada Estação Benfica, do Corredor Leste-Oeste, que entrou em operação na última segunda-feira, após cinco anos de espera para ser construída.

 

Temos sofrido muito com a evasão. Estamos vendo os ônibus circulando cheios e a demanda caindo. As pessoas têm invadido as estações do BRT por fora e, em muitos casos, pulam os bloqueios”,

Djalma Dutra, do Consórcio Mobibrasil, operador do Corredor Leste-Oeste

 

O equipamento que está sendo testado difere em muito dos bloqueios modernos projetados para as estações de BRT. É feio, grosseiro e dificulta o acesso dos passageiros. Obesos, pessoas com qualquer dificuldade de locomoção e até mesmo quem costuma andar com bolsas ou mochilas tem dificuldade para passar. A largura é a mesma dos outros bloqueios, garantem os operadores, mas a altura é o que dificulta a passagem. Enquanto os bloqueios convencionais das estações de BRT têm um metro, o novo modelo tem 1,40 metro. “É importante ressaltar que é apenas um teste e que o acesso das pessoas com dificuldades está liberado por fora dos bloqueios.

Veja, num breve vídeo, como funcionam os bloqueios que estão em teste para evitar a evasão de receita:

 

Vale lembrar que o impacto da evasão de receita, de um jeito ou de outro, pesa no bolso do passageiro que paga para andar no sistema. O prejuízo volta de duas formas. Em primeiro lugar, com ônibus circulando mais cheios porque a oferta de frota é dimensionada para a quantidade de usuários que passam no validador dos coletivos. Em segundo lugar, pagam uma tarifa cada vez mais cara porque o custo do sistema se torna maior do que a receita arrecadada. Essa é a principal explicação dada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE).

Segundo os números da entidade, a evasão de receita de todo o sistema de transporte gira em torno de 10% do que é arrecadado com as tarifas. Ou seja, significa dizer que 200 mil pessoas que não têm direito à gratuidade estão viajando de graça no transporte, às custas de quem paga a passagem. No caso do BRT, os operadores afirmam que a perda de receita já está em 12,5%, ou seja, acima da evasão do sistema convencional. “O transporte público sofre como um todo, mas as características do BRT facilitam a invasão, infelizmente. Essas pessoas – que não chamo de usuários – muitas vezes entram nos BRTs e nas estações por fora. E a situação piorou muito do fim do ano passado para cá devido à crise econômica”, diz Djalma Dutra.


CAMPANHA COMO REAÇÃO
O setor empresarial tem definido algumas estratégias numa tentativa de reagir à perda de receita. A Urbana-PE lançará na segunda quinzena deste mês, provavelmente no dia 14, a campanha “Faça o Certo”, que vai estimular a moralização e a humanização do sistema de transporte pelos passageiros. A proposta é pegar carona no momento de combate à corrupção que o País vive, estimulando os usuários a não viajar sem pagar a passagem, a respeitar os assentos preferenciais e a não depredar o transporte coletivo.

Além do teste com os bloqueios altos, os operadores estão instalando um circuito interno de TV para flagrar os invasores nas estações de BRT e vão encaminhar as imagens para a Secretaria de Defesa Social (SDS). Também estão desativando os botões de emergência que liberam a abertura das portas das estações. O controle passará a ser feito exclusivamente pelos funcionários das unidades.


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