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Faixas Azuis nem são ampliadas nem cuidadas no Recife

07 / set
Publicado por Roberta Soares às 8:00

Foto: Leo Motta/JC Imagem

 

Nem expande, nem cuida. Assim a Prefeitura do Recife tem tocado o projeto das faixas exclusivas para ônibus instaladas na capital, batizadas de Faixas Azuis. Os quatro corredores (Avenidas Conselheiro Aguiar, Domingos Ferreira, Mascarenhas de Moraes e Real da Torre) e dois trechos (Avenida Recife e Rua Cosme Viana) implantados até agora não sofreram expansão, todos encontram-se com a pintura quase totalmente apagada e apenas um ganhou fiscalização eletrônica em toda a extensão. Sobre a possibilidade de ampliação, o município diz estar realizando estudos e que haverá uma expansão até o fim do ano. Sobre a manutenção, promete começá-la ainda este mês.

Em 2011, a Prefeitura do Recife incorporou o modelo de BRS (Bus Rapid Service), implantado com sucesso no Rio de Janeiro, e ampliou a malha de Faixas Azuis da cidade. A capital passou de 20 quilômetros para 54 quilômetros de faixas exclusivas para o ônibus. Mas isso aconteceu até 2015. De lá para cá, a gestão municipal parou no tempo e o projeto foi esquecido. A Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) chegou a prometer a implantação de pelo menos outros quatro corredores, mas só conseguiu executar um pequeno trecho na Avenida Recife (1,8 quilômetro em cada sentido), em julho de 2016. Nada mais foi feito desde então. Sempre que é questionado, o órgão responde, por notas oficiais, que está estudando novas rotas e nada sai do papel.

“É uma pena esse projeto não ser expandido porque é muito bom para quem anda de ônibus. Seja o passageiro ou o operador. Fazemos as viagens com mais rapidez. Mesmo elas estando bem apagadas, os motoristas foram aprendendo a respeitá-las. Um ou outro ainda invade, mas são poucos. Principalmente na Avenida Mascarenhas de Moraes, que tem fiscalização eletrônica”, afirma a cobradora Cláudia Pereira, que trabalha na linha TI Cabo – Cais de Santa Rita, uma das que percorre todo o corredor de Faixa Azul implantada na Mascarenhas de Moraes.

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Nem mesmo os excelentes resultados operacionais proporcionados pelas faixas exclusivas, com ganhos de velocidade comercial dos ônibus superiores a 100%, têm sido suficientes para encorajar a gestão política a ampliar o projeto. O baixo custo de implantação também. Números da própria CTTU e da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos) revelam que custa muito pouco fazer um corredor de Faixa Azul: o quilômetro sem equipamento de fiscalização – como acontece em cinco dos seis corredores – custa R$ 20 mil. É só tinta e vontade de dar espaço ao ônibus no sistema viário. Com os radares, o custo sobe para R$ 40 mil.

A capital, inclusive, poderá vir a contar com até R$ 200 milhões do governo federal dentro da segunda etapa do Programa Avançar Cidades, do Ministério das Cidades, que vai liberar financiamento com recursos do FGTS para os municípios com mais de 250 mil habitantes. E a prioridade da União serão os projetos de faixas exclusivas, que priorizam o ônibus no sistema viário. Mas para isso o Recife terá que ter bons projetos e concluído o Plano de Mobilidade Urbana (PMU), ainda em execução.

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RESPOSTA PODER PÚBLICO

A Prefeitura do Recife se pronunciou sobre a lentidão das Faixas Azuis por nota oficial. Nela, diz que o projeto é prioridade da gestão e lembra que mais que duplicou a extensão das faixas a partir de 2013. “Estamos realizando estudos de prospecção com o intuito de identificar os corredores viários aptos a receber novas faixas exclusivas de ônibus, a partir de análises como o quantitativo de linhas e de passageiros que circulam nas vias estudadas, assim como o número de conversões à direita existentes nas mesmas. A expectativa é ampliar o projeto Faixa Azul no segundo semestre deste ano”, diz a nota.

Sobre a segunda etapa do Programa Avançar Cidades, entretanto, não se pronunciou. O município já tinha transferido a responsabilidade pela busca do recurso para o governo do Estado, que afirmou, via Secretaria das Cidades, “não descartar a possibilidade de futuramente executar uma parceria com as prefeituras dos municípios que serão atendidos para ampliar os corredores metropolitanos de BRS”.

 


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