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#ElesSóQueriamPedalar – Histórias de quem morreu numa bicicleta

28 / set
Publicado por Roberta Soares às 15:33

 

Matar no trânsito parece que dói menos, que é menor, menos impactante. Parece que indigna menos. Sociedade e governos. A morte com arma de fogo ou branca choca e comove mais. É o que ainda mobiliza os poderes. Continua sendo assim. E a morte de pessoas que usam bicicletas é ainda mais menosprezada.

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A culpa, quase sempre, parece ser intrínseca à vítima. As investigações dos casos não andam, não seguem o mesmo curso dos homicídios. Com exceção de motoristas pegos em flagrante sob efeito de álcool, a não-intenção historicamente associada aos crimes de trânsito pesa e faz a sociedade ser mais benevolente. Na sequência, a polícia e a Justiça.

 

 

A polícia justifica. Pondera que a investigação do crime de trânsito é mais difícil porque autor e vítima não têm elos históricos, seja de amor ou ódio. São desconhecidos que, num determinado momento, têm suas vidas cruzadas por um evento. Por isso, é difícil encontrar o fio condutor.

Abaixo, cenas das viúvas e da mãe que perderam, para a morte, maridos e filho numa bicicleta. Na sequência, mais detalhes das vítimas. As fotos são de Felipe Ribeiro/JC Imagem

Como protesto a essa realidade e numa tentativa de mudar o olhar sobre as mortes de ciclistas, reunimos quatro histórias, quatro dores e pelos menos três relatos de impunidade. Histórias de ciclistas mortos no trânsito e da saudade que deixaram em quem ficou. Vítimas não só de motoristas, mas da falta de infraestrutura viária que pudesse oferecer um pouco de segurança no ir e vir. Ciclofaixas, ciclovias e ciclorrotas constantemente prometidas, mas nunca efetivadas. As histórias são de Pernambuco, mas as dores representam uma nação que pedala.

 


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