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Ameciclo rebate CTTU em polêmica sobre ciclofaixa na Ponte Buarque de Macedo

12 / abr
Publicado por Roberta Soares às 14:51

Foto: JC Imagem

 

A implantação de uma estrutura cicloviária permanente na Ponte Buarque de Macedo, uma das principais ligações do bairro de Santo Antônio para o Bairro do Recife, no Centro da capital, voltou a gerar polêmica. Depois de fazer uma ação provocativa para cobrar a ampliação da infraestrutura cicloviária na cidade – pelo Plano Diretor Cicloviário (PDC) o Recife deveria ter 250 quilômetros -, com a simulação da ciclofaixa permanente na ponte, a Associação Metropolitana de Ciclistas (Ameciclo) questionou a justificativa apresentada pela Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) para não ter executado o projeto. Confira, abaixo, a nota divulgada pela entidade de ciclistas.

“A Associação Metropolitana de Ciclista do Recife (Ameciclo) vem por meio desta rebater a nota divulgada pela Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) sobre a colocação de uma estrutura cicloviária permanente na ponte Buarque de Macedo e divulgada no Jornal do Commercio e no JC Online.

Em reuniões passadas, a CTTU afirmava que a entrada do BRT na Ponte Buarque de Macedo seria um fator inviabilizante do projeto de ciclovia na ponte, porém, demonstrada a falha no argumento, em nota a companhia mudou o argumento, os quais rebatemos aqui.

1. A CTTU aponta o tráfego de ônibus e BRTs na via como um impeditivo, porém não há faixa exclusiva de ônibus no local. A priorização do transporte coletivo não é conflitante com a priorização do modo ativo de transporte.

2. A CTTU afirma que há “um grande volume de veículos nos horários de pico”, porém não informa uma contagem de veículos no local. Ademais, a priorização dos modos ativos, provendo segurança ao ciclista, é mais importante que o tráfego dos motorizados, como rege a Lei Federal 12.587/12 (Política Nacional de Mobilidade Urbana) e o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

 

Fotos: Cicloação Recife

 

3. A CTTU diz que “haveria a redução da calha viária da Ponte Buarque de Macedo”, quando na verdade haveria apenas uma redemocratização do espaço viário, priorizando os ciclistas. Em seguida diz que impactaria “diretamente na circulação de transporte público de passageiros”, mas se isso fosse verdade bastaria colocar faixa exclusiva na ponte. No entanto, o que se percebe é que as três faixas já são suficientes para comportar o tráfego motorizado da via.

4. A CTTU diz que impactaria “na segurança viária”, o que é verdade, mas enquanto a companhia encara isso como fato negativo, sabemos que é um impacto positivo na segurança dos ciclistas e de todos os demais usuários das vias.

5. A CTTU diz que a segurança seria impactada “principalmente na conversão à esquerda dos ônibus oriundos da Avenida Martins de Barros”. Entendemos que deve ter algum ato falho, uma vez que não há conversão a esquerda e sim à direita dessa via. Se estiver falando da entrada do BRT na ponte, rebatemos essa falácia no início do vídeo (divulgado na fanpage do movimento Cicloação Recife no Facebook). Mas se acaso estiver falando do final da ponte Buarque de Macedo, percebe-se que os pedestres têm dificuldades de atravessar naquele ponto pois os motoristas não respeitam, sendo necessário um tempo semafórico específico para eles e que poderia ser utilizado por ciclistas.

6. Por fim, a CTTU informa que “foi apresentado aos grupos de representantes dos ciclistas antes de sua implantação” e que “na ocasião, foi estabelecido que a circulação na Ponte Buarque de Macedo deveria ser realizada pela calçada, através do desmonte da bicicleta”. Esse parágrafo está completamente equivocado, uma vez que o projeto não previa desmonte na ponte e sim uma ciclorrota equivocadamente colocada na ponte Maurício de Nassau. Além disso, o texto dá a entender que concordamos com essa solução, quando NÓS DA AMECICLO apresentamos sugestões para que o projeto contemplasse uma ciclovia permanente e de mão dupla na Buarque de Macedo, salientando o baixo volume de veículos na ponte e a possibilidade de um tempo semafórico no cruzamento com a Cais do Apolo.

Com essa palavras, a Ameciclo se coloca indignada que a empresa responsável por garantir a segurança de todos os usuários das vias, principalmente de pedestres e ciclistas, atue desta forma: priorizando o tráfego de automóveis e espalhando inverdades em notas oficiais para tentar justificar-se”.

O Blog De Olho no Trânsito procurou a CTTU, mas o órgão preferiu não se pronunciar novamente.


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