15
abr

Dia do ciclista é todo dia – As reivindicações de quem quer pedalar

15 / abr
Publicado por Roberta Soares às 10:07

Começamos essa reportagem com os cicloativistas dando o recado: “todo dia é dia de ciclista”, avisa Cezar Martins, integrante da Ameciclo, a Associação Metropolitana de Ciclistas. Por isso, este domingo, 15 de abril, quando se instituiu o Dia Internacional do Ciclista, é mais uma data para que a principal reivindicação de quem usa a bicicleta como meio de transporte – a criação de infraestrutura nas ruas – ganhe ainda mais força. Nessa data, o que os ciclistas desejam é ver o Plano Diretor Cicloviário da Região Metropolitana do Recife (PDC) virar realidade. Se não totalmente, afinal são 590 quilômetros de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas no Grande Recife, ao menos em parte. E isso vem acontecendo mais lentamente do que desejam os ciclistas – menos de 10% do PDC foi executado desde sua criação, em 2014.

O sentimento é de que a Prefeitura do Recife ainda não está convencida que a bicicleta utilizada como transporte pode mudar a cidade. Fortaleza fez mais de 200 quilômetros em mais de cinco anos. Enquanto a nossa velocidade é muito baixa e demonstra descaso”,

Cezar Martins, da Ameciclo

 

Fotos: Guga Matos/JC Imagem

Aproveitando a data e a convite do JC, a Ameciclo escolheu quatro vias do Recife que deveriam e poderiam ter estrutura cicloviária. Deveriam porque está previsto no PDC e poderiam porque não gerariam tanto desgaste político para a gestão municipal ao tirar espaço dos veículos motorizados. Quando isso acontecesse, o impacto positivo para os ciclistas seria tão grande que justificaria. As vias escolhidas foram a Avenida Mário Melo, em Santo Amaro, área central do Recife; a Rua do Futuro, no bairro dos Aflitos, Zona Norte da capital; a Avenida Beberibe, também na mesma região; e a Avenida Caxangá, um dos principais corredores metropolitanos de transporte público.

Veja o especial multimídia Eles Só Queriam Pedalar

Nessas ruas, os critérios observados pelo próprio PDC são de que estão na rota de deslocamentos de trabalhadores que pedalam, atendem a um amplo número de ciclistas e teriam adequação no espaço viário. “Em todas essas vias a Ameciclo fez contagem de ciclistas e identificou uma considerada quantidade de pessoas utilizando a bicicleta como transporte. Não apenas lazer. A Avenida Beberibe, por exemplo foi a maior contagem que já tivemos: 3.723 ciclistas circulando por dia, sendo 490, em média, apenas entre as 17h e as 18h. Na Avenida Caxangá, que tinha um projeto de ciclovia pronto para ser implantado com o sistema de BRT, foram 3.067 ciclistas circulando diariamente. Esses números já justificam a construção de uma estrutura para a bicicleta?”, defende Roderick Jordão, coordenador de comunicação da Ameciclo.


A falta de vontade política das gestões públicas fica mais evidente, na visão dos ciclistas, quando se considera o baixo custo de implantação da infraestrutura cicloviária – um quilômetro de ciclovia (quando o espaço da bicicleta é totalmente segregado do tráfego de veículos) custa R$ 96 mil, incluindo as intervenções físicas e a sinalização horizontal e vertical. As ciclofaixas e ciclorrotas saem bem mais barato.

“O sentimento é de que a Prefeitura do Recife ainda não está convencida que a bicicleta utilizada como transporte pode mudar a cidade. Fortaleza fez mais de 200 quilômetros em mais de cinco anos. Enquanto a nossa velocidade é muito baixa e demonstra descaso”, critica Cezar Martins. A Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) informou que a gestão atual implantou 20 quilômetros de estrutura cicloviária dos 42 quilômetros existentes na capital.

Há avanços, como os dois trechos do Eixo Cicloviário Camilo Simões. Mas são tantos conflitos na rota das bicicletas que é evidente o medo dos gestores em tirar espaço do carro. Exemplos não faltam pela cidade”,

Roderick Jordão, da Ameciclo

 


Veja também