03
ago

Obras de restauração do contorno urbano da BR-101 chegam a 50%

03 / ago
Publicado por Roberta Soares às 10:20

Prazo oficial para conclusão dos trabalhos é março/abril de 2019, mas DER-PE corre para entregar em dezembro deste ano. Fotos: Léo Motta/JC Imagem

Polêmicas à parte, quem trafega pelo contorno urbano que a BR-101 faz da Região Metropolitana do Recife está sofrendo um pouco menos. As obras de restauração da rodovia já alcançaram 50% dos 30,7 quilômetros que separam a bifurcação com a PE-15, em Abreu e Lima, e Jaboatão dos Guararapes, na altura da Fábrica da Coca-Cola. Embora o ritmo dos trabalhos tenha diminuído em julho – mês de inverno –, o governo de Pernambuco, que é responsável pela restauração, garante que as obras serão concluídas no prazo previsto: março de 2019, havendo a possibilidade de a finalização ser antecipada para o fim do ano.

No total, a restauração da rodovia já atingiu 40 quilômetros dos 90 quilômetros que, de forma geral, serão restaurados – sendo 30,7 quilômetros em cada sentido do contorno e outros 28 quilômetros de alças, acessos e vias locais. “O ritmo está mais lento porque o consórcio construtor, Andrade Guedes/Astep, optou por antecipar as férias dos funcionários de setembro para o mês de inverno. Foi uma mudança estratégica para retomar os trabalhos com força a partir de agosto, quando o verão começa. Por isso, há poucos trabalhadores fazendo apenas alguns serviços de drenagem. A recuperação do pavimento só será retomada no próximo mês”, explica Silvano Carvalho, atual diretor-presidente do Departamento de Estradas de Rodagem de Pernambuco (DER-PE) e ex-diretor de operações e construções do órgão.

 

O pavimento já foi totalmente refeito nas duas pistas (leste e oeste) entre Abreu e Lima e as imediações da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Cidade Universitária, totalizando 22 quilômetros. As vias locais, entretanto, ainda não foram atacadas pela obra e, por isso, há buracos e desníveis no trecho. Outros 15 quilômetros foram finalizados entre o Ibura (altura da localidade conhecida como Milagres) e o fim do contorno, já em Jaboatão dos Guararapes. Mas apenas a pista oeste (sentido Abreu e Lima-Jaboatão) foi restaurada. “A pista no sentido oposto (leste) será recuperada a partir de agosto, quando os trabalhos voltam com tudo. O mesmo acontecerá com o trecho entre a UFPE e o Ibura, que fizemos apenas uma recuperação provisória para minimizar a degradação de antes”, afirmou o diretor-presidente do DER-PE.

Quem passa pela BR-101, de fato, respira aliviado na maior parte do contorno porque o pavimento está em bom estado. No entanto, é visível a ausência de sinalização horizontal e vertical, das defensas de metal e das barreiras new jersey, que garantem a segurança viária do projeto, juntamente com as passarelas de travessia dos pedestres. E a desconfiança permanece em relação à qualidade do asfalto. “A espessura é muito fina, não há como negar. Olhando assim, arrisco dizer que não vai durar dois invernos”, afirma o motorista Carlos Henrique da Silva, que pelo menos duas vezes passa na rodovia. A qualidade do pavimento, inclusive, foi o grande questionamento do projeto, feito não só por associações nacionais de engenharia civil e professores da UFPE, mas também pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que emitiu dois alertas à direção do DER-PE sobre as consequências administrativas futuras por ter optado por um pavimento inadequado.

Silvano Carvalho, no entanto, reafirma a convicção do governo do Estado diante do projeto de restauração do contorno urbano da BR-101. “O governo de Pernambuco está muito seguro sobre o projeto que está desenvolvendo. Projeto, inclusive, pensado e aprovado em conjunto com o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte). Temos certeza de que é a melhor solução”, garante. Sobre a tão questionada qualidade do pavimento, o diretor-presidente do DER-PE reforça que são 16 centímetros de espessura só de asfalto. “Optamos pelo pavimento semi-rígido, que é uma solução utilizada no mundo todo. Além da camada de 16 centímetros de asfalto, há uma base reforçada por baixo. Retiramos as placas de concreto antigas e refizemos essa base. Houve trechos em que chegamos a perfurar até 1,5 metro de profundidade. Estamos fazendo uma trabalho sério de restauração. A população pode confiar”, garantiu.


Veja também