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Rivandro França renova seu Cozinhando Escondidinho

26 / jan
Publicado por Bruno Albertim às 12:36

Como tantos outros que, por razões diversas, mudaram de endereço, o chef Rivandro França transferiu seu restaurante Cozinhando Escondidinho para uma outra casa na mesma rua em que já funcionava, no bairro de Casa Amarela. Mais arejada e menos escondida que antes (perdõem o trocadilho), com cardápio parcialmente renovado, o estabelecimento confirma a ambivalência do chef Rivandro, que ocupa um lugar onde parecem estar novos grandes chefs autorais: fora de uma prateleira de classificação muito simples. Longe da alta cozinha de técnicas complexas e ingredientes caros e da cozinha meramente popular: ele consegue ser contemporâneo sem deixar de ser tradicional. Sua comida confirma a expectativa de tradição sem deixar de surpreender.

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Fotos: André Nery / JC IMAGEM

Logo depois de um caldinho (obrigatório) na casa com o respaldo de uma cerveja ou uma caipirosca, há um novo petisco que mostra como a cozinha do chef pode ser lúdica. “Oito agulhas no palheiro”, o nome do acepipe, é uma tábua de agulhas fritas servidas como se numa rede, com cubos de queijo coalho, um molho suave à base de mel de engenho e ovos de codorna (R$ 24,90). Dá pra brincar bem antes do almoço.


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Foto: André Nery / JC IMAGEM
Foto: André Nery / JC IMAGEM

Rivandro chama de Destroço da Pororoca outro petisco, baseado, segundo ele, “no encontro da água do mar com o rio”: são filés de tilápia crocante, cubos de batata doce puxados na manteiga, banana-da-terra, queijo coalho e camarões do mar, puxados no alho e na manteiga. No quesito comida de substância, um novo prato é um bode de sol, com a carne do pernil curada na própria casa, puxada na manteiga de garrafa com cebola, farofinha de bolão e arroz. O “falso risoto” é um arroz parbolizado, puxado num creme de queijo e manteiga e toque de gengibre, servido com filé de tilápia empanado.

Foto: André Nery / JC IMAGEM
Foto: André Nery / JC IMAGEM

Rivandro segue a disposição de manter o restaurante fiel às suas origens populares, com preços acessíveis. Para uma pessoa, cada prato varia de R$ 17,90 a R$ 34,90. Agora também em versão para dois, custam entre R$ 29,90 e R$ 59,90. Diariamente, há sugestões de executivos bem inspirados. Marinadas, a coxa e a sobrecoxa de frango assadas vêm sob uma camada bem fininha de coalho maçaricado, com creme de queijos coalho e manteiga, com arroz e feijão verde, farofinha e vinagrete. Por módicos R$ 17,90.
O lugar, agora, parece corresponder àqueles casos em que a moldura combina, e até reforça, o quadro. A casa térrea em que está o novo Cozinhando Escondidinho, com salas amplas, garagem, quintal, nos remete a um tempo em que não tínhamos tanta esquizofrenia (e tão pouco acesso) em relação a metros quadrados. É um lugar onde, com o reforço de uma decoração simples com referência a objetos e utensílios dos mercados populares, nos sentimos naquele tipo de construção que, arquetipicamente, chamamos de casa de vó.

Foto: André Nery / JC IMAGEM
Foto: André Nery / JC IMAGEM

E onde, claro, pratica-se o que os franceses chamam de cozinha de terroir. Não apenas porque o chef opera dentro do repertório das receitas de tradição regional, mas porque também a maior parte dos ingredientes, salvo o que não é realmente encontrado ali, é adquirida no Mercado de Casa Amarela e arredores. Uma cozinha do terroir do bairro, portanto.
Cozinhando Escondidinho. Rua Conselheiro Peretti, 70, Casa Amarela. De quarta a domingo, das 12 as 16h. Fone: 3048-2752.


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