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O novo e delicioso Altar de Dona Carmen Virgínia

09 / fev
Publicado por Bruno Albertim às 15:30

Às vezes, é preciso mudar para continuar o mesmo. Em endereço e com cardápio parcialmente renovado, o Altar, da chef e yabassé Dona Carmen Virgínia dos Santos e do sócio Everaldo Alves, localizado no mesmo bairro de Santo Amaro onde surgiu há três anos, mudou numa direção ainda mais precisa. Não apenas para ser o que era, mas para se tornar o que deveria ser desde o começo. A comida ali parece ter encontrado sua melhor moldura.

O novo Altar funciona na Rua Frei Casimiro, o boulevard que corta o bairro gostosamente suburbano do centro do Recife, onde a feira e outros eventos da vida social acontecem. Agora, porém, num imóvel amplo, com terraço de mesas com ombrelones. A ambientação da decoradora Náiade Lins não poderia ser mais feliz. Na fachada, uma grande escultura de São Jorge, já usada na gravação de um DVD de Zeca Pagodinho, chama atenção como um padroeiro. Imagens de santos católicos e do candomblé numa profusão de outros elementos simbolizam a devoção com a qual a culinária é ali praticada. No salão, mesas coloridas, quadros naifs, retalhos e uma imagem grafitada da chef por Caju.

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Foto: Guga Matos / JC IMAGEM

Sim, o ambiente ajuda, mas não é (apenas) por ele que ali vamos. A comida potencializou um pouco mais seu magnetismo. Segue sendo tradicionalíssima em essência, apreendida por Carmen com as mulheres que a antecederam, na família e no terreiro, mas com ligeiras inovações técnicas em que criatividade não briga com tradição. A cabidela, por exemplo. Seu molho permanece denso, com um sabor ligeiramente pronunciando pela adição de um curry caseiro e alfavaca, mas, agora, de uma textura incomum. Dica do amigo chef paulistano Jefferson Rueda, ela fez uma espécie de roux, aquela técnica francesa de espessar molhos, em que a farinha de trigo é substituída por goma e, grande sacada, deixa a cabidela numa textura inflada, ligeiramente gelatinosa. Acompanhada por farofa de bolão, fava e batata doce puxada na manteiga de alecrim é de se comer, mesmo, agradecendo.

Para abrir os trabalhos, a casa oferece agora uma tábua com um caldinho de feijão com bolinho de feijoada, sequinho por fora e molhadinho por dentro, acompanhados de vinagrete de caipirinha e um tartar de laranja.


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Foto: Guga Matos / JC IMAGEM

Se mantém clássicos marinhos como a fava de frutos do mar ou o Peixe à Inajá (o peixe sobre moqueca, com bolinho de feijão, acaçá recheado com queijo coalho e banana com camarão), o cardápio ganha também uma caçarola chamada Camarões à Bensoussan: os crustáceos do mar bem refogadinhos com um toque de dendê e dados de batata doce e banana da terra. Um clássico de nascença.

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Guga Matos / JC IMAGEM

Para aumentar também a oferta de pratos não marítimos, outro que nasce com promessa de sucesso é o escondidinho de banana com carne de sol desfiada. Ou ainda uma charque em moqueca, com bastante quiabo e maxixe.

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Guga Matos / JC IMAGEM

Os petiscos custam entre R$ 7 e R$ 57 (uma tábua de frutos do mar para quatro). Os pratos têm preço médio de R$ 30 – mas, durante a semana, há a oferta de executivos pelo mesmo valor com entradinha e sobremesa.

Com funcionários em treinamento, a casa, às vezes, pode não oferecer o profissionalismo de salão dos grandes restaurantes. Mas o carisma e a sensação de estarmos numa casa gostosamente suburbana onde o cheiro da comida nos atinge em todas as direções mais que recompensa. Nas quintas, aliás, o happy hour é regado a caipiroscas, petiscos, música e a famosa caranguejada.

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Guga Matos / JC IMAGEM

Altar. Rua Frei Casimiro, 449, Santo Amaro. Fone: 3097-3548.


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