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Profissionais acima dos 40 anos devem aprender novos idiomas

10 / out.
Publicado por Bianca Bion às 11:43

Alunos com mais de 40 são mais centrados.  Arte: Thiago Lucas/Artes JC
Alunos com mais de 40 são mais centrados. Arte: Thiago Lucas/Artes JC

*Por Luiza Freitas

lfreitas@jc.com.br

Investir em capacitação continuada é uma necessidade imposta pelo mercado com cada vez mais força. Para além de especializações e cursos técnicos, aprender novos idiomas ou simplesmente continuar praticando o que já se sabe está no topo da lista. E não importa a idade. Seja em horários alternativos, fins de semana ou até a distância, adultos com mais de 40 anos estão procurando com mais frequência uma forma de praticar outras línguas. Para os especialistas, não importa a idade nem o ramo profissional, o essencial é estar disposto a não ficar só no português.

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Segundo a pesquisa realizada pelo Data Popular para o British Council em 2014, apenas 3,5% da população brasileira entre 35 e 50 anos falava inglês. De acordo com a mesma pesquisa, intitulada de “Demandas de aprendizagem de inglês no Brasil”, 57% das pessoas que estavam fazendo ou já haviam feito curso do idioma tinham salários “muito melhores” e 40% salários “melhores”. “A maior motivação para a demanda por cursos de inglês pela nova e crescente classe média é de caráter bastante prático. Busca-se garantir a própria empregabilidade e propiciar a continuidade do crescimento social obtido”, afirma o estudo.
Apenas na unidade de línguas do Senac no Recife o número de alunos entre 30 e 40 anos de idade chega a 50%. Nas turmas da noite, esse número salta para 80%. “São profissionais já inseridos no mercado de trabalho e que são exigidos por suas empresas para ter o domínio de outras línguas”, afirma a gerente da Unidade de Idiomas, Mauriceia Oliveira.
Do ponto de vista do aprendizado, ela garante que a faixa etária tem sim influência, mas não necessariamente negativa. “A gente não nega as dificuldades. O aluno mais velho se inibe mais, compara seu desempenho ao dos demais. Por outro lado, são mais disciplinados, conscientes do que querem e, em consequência, têm bons resultados.”
Aos 53 anos, o contador Marcelo Casé estuda espanhol e o que a princípio era lazer já reflete suas vantagens profissionais. “Hoje existe um esforço grande do meio acadêmico para que determinadas questões da contabilidade sejam unificadas em vários países. O mundo é globalizado, então aprender idiomas favorece e muito do ponto de vista profissional”, acredita Casé.
Algumas escolas de idiomas, inclusive, chegaram a perceber o aumento do número de alunos que procuraram aprender outros idiomas a partir de 2015, com a intensificação da crise econômica. “O número de empresas que ofereciam aulas para seus funcionários vinha numa crescente, até que praticamente acabou por conta da crise. Por outro lado, a quantidade de profissionais adultos que passou a procurar aulas por conta própria cresceu”, afirma o superintendente da Fundação Fisk, Elvio Peralta.
Ele ainda destaca outro dado importante: enquanto o número de matrículas de adolescentes caiu com a crise econômica, o de adultos cresceu. “O medo do desemprego e a necessidade de se destacar no mercado estão levando as pessoas para a sala de aula”, diz. O professor diz que alunos mais velhos costumam ter pressa. “Temos um curso de 18 meses, uma capacitação de contexto profissional. É diferente de um curso de proficiência, que requer tempo de maturação do aprendizado”, explica Peralta.


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