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A crise econômica transformou você em um funcionário-polvo?

20 / mar
Publicado por Yasmin Freitas às 8:59

Demissões causam acúmulo de trabalho e estresse. Foto: Pixabay/Divulgação.
Demissões causam acúmulo de trabalho e estresse para funcionários que permanecem no quadro da empresa. Foto: Pixabay/Divulgação.

Com o enxugamento dos quadros pessoais nas empresas, surge o funcionário-polvo. Ele aparece para dar conta do trabalho de outros colegas que foram demitidos. Apesar de ser necessário adotar medidas para economizar, é importante estar atento para não sobrecarregar os funcionários. Isso pode levar a problemas de saúde e comprometer a produtividade.

Em um cenário econômico de desconfiança, com quase 13 milhões de desempregados, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o fenômeno do funcionário-polvo se torna cada dia mais comum. “O profissional desenvolve a tarefa dele e do colega, dentro do mesmo prazo e ganhando a mesma remuneração. Tem empresários que apostam em um staff mais especializado e com maior resiliência, que podem ser mais produtivos. Outros, realmente, cortam o time pela metade”, diz a professora da Faculdade dos Guararapes, Cássia Albuquerque.

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O aumento da carga sem um planejamento adequado pode afetar o clima do ambiente do trabalho e gerar estresse no trabalhador. Acidentes de trabalho podem acontecer ou problemas como depressão, síndrome do pânico, pressão alta e doenças cardiovasculares, impulsionadas pelas condições insalubres.

Arnaldo* (o personagem preferiu não se identificar), por exemplo, sente que está trabalhando por dez pessoas no banco. O volume de trabalho aumentou, porque outras agências próximas fecharam, devido a assaltos e explosões de caixas eletrônicos. “A empresa havia feito um programa de demissão voluntário para economizar. Na minha agência, saíram dois colegas. “O estresse aumentou muito”. Ele não teve problemas de saúde, mas relata que já viu colegas pedirem licença por causa de problemas de saúde desenvolvidos por causa do estresse.

O grande número de faltas pode levar a outro fenômeno chamado de absenteísmo, quando o funcionário fica doente ou sofre acidentes no trabalho e precisa tirar licenças. O relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) – Estresse no ambiente de trabalho: um desafio de todos –, lançado em 2016, diz que o trabalho é essencial para a saúde humana, ao ponto em que o indivíduo prefere péssimas condições de trabalho ao desemprego.
O relatório cita um estudo feito no Brasil sobre acidentes e doenças ocupacionais. No País, 14% de benefícios foram concedidos por doenças mentais.

A falta de motivação também atrapalha e pode causar o presenteísmo. O funcionário bate o ponto todo dia, mas não consegue focar no trabalho ou ter alta produtividade. Para manter o clima organizacional, é preciso ter líderes capacitados. “O problema é que os líderes mais qualificados têm salários altos e são demitidos. Os que ficam não sabem fazer gestão de clima, não tem trato para lidar com os funcionários e não conseguem dar feedback”, diz Cássia Albuquerque.
Entre as dicas para não perder a cabeça em meio à crise nas empresas está a negociação. O funcionário precisa conhecer seus limites e conversar com os chefes. Além disso, Cássia recomenda que as empresas criem times multifuncionais, com a presença de psicólogos e assistentes sociais para amenizar o clima. Outra coisa que pode tornar o trabalho mais leve é investir na alimentação, como criar um dia da lasanha, ou combinar de largar mais cedo na sexta-feira.

SOBRECARGA

Mas, afinal, a sobrecarga de trabalho é permitida pela lei? Depende, afirma o procurador do Trabalho e coordenador nacional de Combate às Fraudes nas Relações de Emprego (Conafret) do Ministério Público do Trabalho (MPT), Paulo Joarês Vieira. “As tarefas compatíveis são abrangidas no contrato. Mas acumular a função de outro colega já não é correto. A empresa teria que dar um acréscimo salarial. A legislação diz que é falta grave exigir serviços superiores às forças do empregado ou não previstos no contrato do trabalho”, diz.

Caso não constar a definição do trabalho no contrato, a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), no artigo 456, afirma que o empregado se obriga a todo e qualquer serviço compatível com sua condição pessoal. Ainda segundo Joarês, isso também pode configurar como enriquecimento sem causa, já que o empregador não dá o acréscimo no salário.


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