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Ataque a Porto de Galinhas é um ataque ao sentimento de pernambucanidade

03 / fev
Publicado por Felipe Vieira às 10:08

galinha

ATUALIZAÇÃO: RESPOSTA DA SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL

O ataque às agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal de Porto de Galinhas, em Ipojuca, tem um simbolismo evidente. Quando bandidos explodem cofres, metralham casas, carros, delegacia e viaturas policiais no maior destino turístico do Estado (e um dos maiores do Brasil), é porque o poder público já está desmoralizado.

A ousadia é tamanha que os criminosos até abandonaram o script tradicional das investidas, que ocorrem em cidades próximas às divisas com Estados vizinhos, como Alagoas e Paraíba. Para “fugir” de Porto em direção a Alagoas, é preciso uma hora de estrada. Muito tempo em uma circunstância normal, com policiamento ativo e vigilante. Mas quem disse que as circunstâncias são normais? Os bandidos sabem bem disso.

Na peleja contra as quadrilhas especializadas – não custa lembrar que operam com fuzis, metralhadoras e explosivos – a polícia até consegue algumas vitórias. Mas, como nos desenhos de Tom & Jerry, o rato sempre dá um jeito de escapar e aprontar mais à frente.


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Em agosto de 2016, eu, o fotógrafo Diego Nigro, a repórter Cíntia Ferreira, da TV Jornal, e o motorista Tiago Leandro, percorremos a rota dos roubos a bancos no interior. Mais do que estruturas de concreto, encontramos vidas destruídas. Aposentados que choravam ao dizer que não teriam como receber o benefício. O comércio das cidades, já baqueado devido à crise, em frangalhos com a ausência de dinheiro vivo.

Os roubos a bancos são golpes diários numa sociedade exausta, que além de não poder andar em paz nas ruas, já não tem condições de movimentar o próprio dinheiro como bem entenda. Precisa dizer o reflexo disso numa economia já cambaleante?

Moradores e turistas de Porto de Galinhas, evidentemente, não têm mais direitos que os habitantes de São Vicente Férrer, por exemplo, que já foram vítimas de três ataques. Eu volto apenas à questão do simbolismo: os bandidos atacaram um orgulho do pernambucano. “A praia mais bonita do Brasil”, que a gente bate no peito pra dizer que é nossa.

Se você fosse turista e estivesse lá, voltaria? Se estivesse pensando em conhecer e visse a notícia, confirmaria? Eu suspeito que não.

O governador Paulo Câmara deveria se pronunciar. Qualquer coisa que não seja o chefe do Executivo estadual chamando para si a responsabilidade nesse caso é pouca coisa.

O ataque a Porto é um ataque ao sentimento de pernambucanidade.

RESPOSTA DA SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL (SDS)

A SDS informa que as polícias Civil e Militar estão, neste momento, em diligência na investigação de indícios que possam levar à quadrilha responsável pela ação contra agências bancárias em Porto de Galinhas. O delegado Vinicius Notari, da força-tarefa da Polícia Civil que investiga assaltos a instituições financeiras, está responsável pelo caso.
 
A SDS avalia que está dando respostas importantes no combate a esse tipo de crime. Somente na operação Sem Divisas, deflagrada na semana passada, foram capturados 17 assaltantes que atuavam entre Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Somente este grupo criminoso, com o qual foram encontrados artefatos suficientes para explosão de quase 200 caixas eletrônicos, teve participação em pelo pelos 15 investidas a instituições bancárias. O trabalho da força-tarefa, ampliada de três para sete equipes no final do ano passado, já resultou na desarticulação de 16 quadrilhas, totalizando a prisão de mais de 134 pessoas.   
 
Com ações de inteligência, aliadas aos esforços da Polícia Militar, que reativou uma tropa da Radiopatrulha treinada para o enfrentamento de bandidos fortemente armados, as forças de segurança têm a confiança na redução da atuação dessas quadrilhas em nosso território. 
 
É importante esclarecer ainda que essas ações teriam maior efetividade se as instituições financeiras adotassem medidas de segurança consideradas simples, como a utilização de câmeras de circuito interno, inutilização das cédulas após a violação dos terminais, contratação de vigilância privada e outras tecnologias que tornem esse tipo de crime menos atrativo para os bandidos.


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