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Qual é o limite para os bandidos?

21 / fev
Publicado por Felipe Vieira às 9:26

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Roubaram um caixa eletrônico em uma farmácia, e a gente se perguntou:

“Qual é o limite?”

Começaram a explodir agências no interior do Estado, e mais uma vez veio a pergunta:

“Qual é o limite?”

Ações ousadas viraram rotina no interior, e nada de resposta para…

“Qual é o limite?”

Explodiram bancos a um quilômetro do comando da PM. Arrasaram agências no principal destino turístico de Pernambuco. O brado foi unânime:

“Qual é o limite?”

Na madrugada de hoje, as noções de “limite” foram brutalmente redefinidas. O cinematográfico assalto à empresa de vigilância Brinks, na Zona Oeste do Recife, foi um golpe sem precedentes da criminalidade no Estado, e um tapa no rosto de uma população já esgotada pelo dia a dia de insegurança, do celular escondido para não chamar atenção, da bolsa presa ao corpo durante a viagem de ônibus, do “volta logo, é perigoso ficar na rua”.

Significa que o nosso cotidiano de incertezas, onde a guerra do tráfico e dos grupos de extermínio nas periferias faz sua legião de cadáveres pobres, e o festival de roubos e limitações que se impuseram ao cidadão, ganhou o toque que faltava: a ação brutal, coordenada e meticulosamente planejada do crime organizado, em plena Zona Oeste. Tudo isso em um dia de semana, às vésperas da maior festa do Estado.

Esse drástico upgrade da criminalidade é resultado de um vácuo de gestão na segurança pública no Estado, cujo início é perceptível a partir de 2014.

Foi quando o governador Eduardo Campos, que implantou o Pacto em 2007 e o comandou com mão de ferro – respaldado, é verdade, por uma bonança econômica sem precedentes no Estado e no País – deixou o governo. Seu sucessor, João Lyra Neto, fez uma gestão tampão, e com o freio de mão puxado. Também ali a crise econômica que até hoje devorou 12 milhões de empregos e arrasou o País dava seus primeiros sinais.


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Ao assumir o Estado, em 2015, Paulo Câmara já encontrou o princípio de terra arrasada. A crise ficando mais séria, os recursos rareando, as forças de segurança sem motivação, o Pacto pela Vida sem a condução política que teve em outros tempos.

 

Evidentemente, passou da hora de dar uma resposta. Mesmo com a crise, mesmo com a desmotivação das forças de segurança. Não se pode alegar descontinuidade administrativa, afinal, o mesmo grupo político que concebeu e implantou o Pacto pela Vida ainda está no poder.

Ou temos uma reação, ou os limites continuarão a serem testados pela bandidagem.

Mas, “qual é o limite” mesmo?

 


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