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A culpa que o Estado não tem

04 / jun
Publicado por Felipe Vieira às 10:47

Trecho em frente à Igreja de Piedade tem posto de salvamento e placas. Foto: Arnaldo Carvalho/JC Imagem

 

Temos a mania de culpar o poder público por tudo. No mais das vezes, é bom que se diga, com toda razão. Mas tem casos em que simplesmente não dá para jogar nas costas do Estado a responsabilidade por uma decisão individual equivocada que termina em uma tragédia.

É claramente o caso do jovem José Ernesto, de 18 anos, que faleceu na manhã desta segunda-feira (4) após ter sido atacado por um tubarão na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife, na tarde do domingo (3).

Em primeiro lugar, é preciso lamentar a perda de uma vida. De um jovem que sonhava em entrar no Exército. Hora de se solidarizar com o imensurável sofrimento da família.

Mas a trágica morte do rapaz não pode ser jogada nas costas do poder público. Há pelo menos 25 anos o litoral pernambucano é notícia no mundo inteiro devido à grande incidência de ataques dos animais. O local onde Ernesto foi surpreendido – as proximidades da Igreja de Piedade – tem posto de guarda-vidas, placas (isso, no plural) alertando para perigo. Na hora havia bombeiros na praia, e os militares chegaram a alertá-lo sobre os riscos. Há 46 dias, naquele mesmo trecho, o potiguar Pablo Diego, de 34 anos, tinha sido atacado. A mãe de Ernesto morria de medo de ver o filho na praia, ciente do perigo que mora naquelas águas.

A parte que cabe ao Estado (governos, universidade, entre outros) nessa história é bastante clara: tentar entender o fenômeno e providenciar as soluções possíveis. Muito tempo se passou e a dinâmica da ação dos tubarões no nosso litoral ainda é um mistério para a população. Nesse ponto, sim, é preciso cobrar o poder público. Onde estão as pesquisas na área? Mas, enquanto não se tem um quadro claro, é esperar que as pessoas sejam alertadas para o risco que há no mar. E isso, convenhamos, tem sido feito.

O que mais dói é ver uma mãe que acabou de perder o filho dizer, em meio às lágrimas, o recado que todos deveriam seguir, ao menos em locais de risco, como o caso da Igrejinha de Piedade:

“Não entrem na água”


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