11
Jun

Rescisão do contrato da Arena Pernambuco pode garantir a Odebrecht mais de meio bilhão ao sair do negócio

11 / Jun
Publicado por Fernando Castilho às 8:00

 

ItaipavaArenaPernambuco01

 

Quem quiser que ache bom, mas essa rescisão do contrato da Arena Pernambuco até agora só está boa para a Odebrecht. Numa boa, o governo propõe rescindir o contrato e a empresa aceita. Desde que o governo pague uma “módica” quantia de R$ 246 milhões.

Ah, diz o procurador do Estado, César Caúla, sem uma rescisão amigável o estado pagaria muito mais. Ele estima que o dobro. Certo, sua excelência, mas não é estranho que a já tendo pago o que pagou, terá que arcar com uma despesa de R$ 140 mil/mês só para manter a Arena funcionando e ainda ter que continuar a pagar uma empresa que vai administrar a obra a um custo que não se sabe quanto?

E mais ainda não é estranho que a Odebrecht tenha aceito o acordo mediante o módico pagamento de R$ 246 milhões? Ora, com o perfil de receita que a Arena tem e o desastre que é termos de negócio que a empresa mesmo desenhou (e que o estado aceitou), ela tinha mesmo era que aceitar pois, na pratica, está se livrando de imbróglio financeiro e de imagem já que estava sendo acusada de, todo mês, receber dinheiro público por estar administrando mal um estádio.

Essa negociação é aquela em que o sujeito fez uma proposta, o outro compra, o negócio dá errado e o cara que aceitou paga o prejuízo e ainda sai acreditando que fez um bom negócio.

Pois não foi não. O Estado nessa conversa só está tendo é prejuízo.

A preços de hoje, a Arena além do já custou vai nos custar mais R$ 510 milhões. Pois além dos R$ 246 milhões da rescisão, tem mais uma conta que a Odebrecht conta de R$ 264 milhões por ter antecipado a conclusão da obra para a Copa das Confederações. Dito de uma forma bem simples: entramos numa furada.

A Odebrecht mandou dizer que está tudo muito bom, tudo muito bem, mas vai continuar pleiteando a indenização dos valores que gastou parta acelerar a obra cumprindo determinação do então Governador Eduardo Campos.

Sempre é bom lembrar que a Arena já nos custou muito dinheiro. Em 2013, quando o governo de Pernambuco recebeu o estádio, não pagou ao consorcio Consórcio Arena Pernambuco Negócios e Investimentos o valor integral dos 75% do empreendimento que ele tem no projeto. Quitou apenas o valor histórico do contrato original de R$ 532 milhões (R$ 389 milhões) se comprometendo a pagar o valor das correções pelo INPC posteriormente.

No governo João Lyra não foram afeitos pagamentos dessa diferença. Ao assumir, o governador Paulo Câmara pagou R$ 30 milhões de atrasados, depois mais R$ 10 milhões (também de parcelas atrasadas) e manteve os pagamentos das parcelas mensais de administração do estádio que perfazem R$ 50,4 milhões. Se somados os valores relatado pelo secretário o Governo de Pernambuco já pagou R$ 439 milhões pelo projeto.

Se a gente soma R$ 439 milhões mais o R$ 246 milhões da rescisão e mais os R$ 264 milhões vai chegar a perto de R$ 1 bilhão (R$ 949 milhões) com esse último valor devendo ser corrigido.

Essa conversa todo e esse sentimento de ter feito uma boa coisa por parte do governo só revela uma coisa: o contrato da Arena foi um péssimo negócio financeiro para Pernambuco.

Primeiro aceitou um projeto pronto da Odebrecht que incluiu um outro de administração e mais outro de uma cidade num terreno que o governo bancou a infraestrutura. Depois mostra que o modelo de negócio foi mal avaliado pelo governo isso inclui a procuradoria que aceitou ou não se posicionou contra. Depois que partiu de uma premissa que não previu a cláusula de risco com vantagem para o estado. Isso sem falar que montou um negócio contando com os russos. Ou melhor com o Sport e o Santa Cruz. Quando agente lê os aditivos vê que o estado não tinha qualquer chance de se dar bem.

A Odebrecht se garantiu já na partida. Não tinha como  dar errado para ela. E a maior prova disso é que está entregando o estádio e levando R$ 246 milhões. Então, definitivamente, o estado não tem o que comemorar. Talvez a Odebrecht. Afinal tem um possível recebível que no fim das contas pode lhe render mais R$ 264 milhões.

Copa

 


Veja também