14
abr

Jornal revela trechos de depoimentos de Marcelo Odebrecht onde Eduardo Campos tenta resolver imbróglio de Itaquitinga

14 / abr
Publicado por Fernando Castilho às 18:00

ITAQUETINGA

Em sua edição eletrotônica, desta sexta-feira, o jornal Valor Econômico revela trechos da delação do presidente da Odebrecht,  Marcelo Odebrecht e do executivo  responsável pelas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, João Antônio Pacífico Ferreira onde ele afirma que a companhia era vista pelo ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos como uma especie de resolvedora de problemas para o estado.

Segundo a reportagem a Odebrecht chegou a investir através da empresa DAG mais de R$ 50 milhões para sanear a obra do Complexo Prisional de Itaquitinga , mas descobriu que a dona da concessão a empresa Advance, depois de conseguir um financiamento com aval do Governo de Pernambuco no Banco do Nordeste, pagou dividendos aso seus acionistas o que deixou um enorme déficit das contas do empreendimento.

Dias antes atende morrer num acidente Eduardo Campos esteve reunido com Marcelo Odebrecht onde o empresário lhe pôs a par dos fatos e disse que considerasse os R$ 50 milhões como contribuição de campanha sua campanha a presidente. A reunião teria sido no dia 16 de julho e no dia 13 de agosto Campos faleceu numa desastre de avião.

Blog de Jamildo antecipou notícia

Governo Paulo Câmara obtém vitória contra empresas responsáveis pela construção do presídio de Itaquitinga

Veja o texto da jornalista Marina Falcão, do Valor, no Recife

Os depoimentos de Marcelo Odebrecht, ex-presidente da Odebrecht, e de João Pacífico, ex-funcionário da empreiteira, trazem à tona a instrínseca relação com o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em acidente aéreo em 2014.

Os relatos mostram Campos (apelidado de “Neto”) como o coordenador da cobrança de propina para abastecimento de suas campanhas, por via oficial e caixa dois. “As tratativas eram diretamente com Campos. Ele tinha um crédito, quando chegava as eleições, fazia a solicitação”, contou Pacífico.

Segundo o delator, Campos designava seu sócio Aldo Guedes, ex-presidente da estatal Copergás, para dar continuidade à cobrança. A contribuição da Odebrecht era uma contrapartida pela obtenção de contratos com o Estado: terraplenagem da Refinaria Abreu e Lima, complexo de abastecimento Pirapama, cais 5 e píer petroleiro de Suape. “Era dito que a gente tinha preferência, uma condição especial [na licitação] e que haveria a cobrança de 3% de contribuição de campanha”, relatou Pacífico.

Ele contou também que foram doados R$ 11 milhões nesse esquema clássico de cobrança de propina. No entanto, o depoimento do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, mostra que a empreiteira perdeu mais do que isso – pelo menos R$ 50 milhões – em nome de sua relação pessoal com o ex-governador. “Campos via a gente como alguém que resolvia os os problemas dele”, afirmou Marcelo Odebrecht.

 

ITAQUETINGA03

 

O empresário contou que Campos pediu ajuda para destravar a construção da PPP do presídio de Itaquitinga, cujo atraso traria um grande ônus eleitoral para sua campanha presidencial e de seu afilhado político Geraldo Júlio (PSB) no pleito municipal no Recife. A obra, cheia de dívidas e afetada por greves, estava nas mãos da construtora Advance. “Não posso entrar aparecendo”, disse o empresário a Campos, na época. “Então, a gente encontrou uma equação. Uma empresa do meu amigo iria ser o veículo e a gente bancava os recursos.”

Essa empresa, que se chamava DAG, assumiu uma opção de compra da concessão da PPP de Itaquitinga que estava com a Advance. “A gente achava que aquilo iria nos custar R$ 10 milhões, no máximo R$ 20 milhões. A gente pensava que era problema só na obra. Mas tinha coisas escabrosas. A concessão tinha pego empréstimos do BNB e um mês depois distribuído como dividendos. Tinha todo um passivo”, contou o empresário. “Pensava que era falhas técnicas, mas se você faz uma concessão, pega um financiamento e distribui como dividendo, só aí tem um rombo de R$ 70 milhões, R$ 80 milhões”.

Enquanto fazia a “due diligence” no negócio da PPP, a Odebrecht, via a DAG, foi aportando recursos para resolver “pepinos”. “Quando a gente viu, já tinha gasto 50 milhões e o buraco era maior”. Marcelo Odebrecht levou o problema para Campos, que, segundo ele, se mostrou surpreso. “O que percebi é que alguém do governo tinha o rabo preso como dono como dono da Advance [o empresário Eduardo Fialho], porque as coisas não andavam e Eduardo geralmente costumava resolver os problemas”. Para o empresário, o rombo em Itaquitinga montava mais de 100 milhões.

No dia 16 de julho de 2014, em um jantar de R$ 7,6 mil pago pela Odebrecht, Marcelo Odebrecht disse a Campos que ele considerasse os R$ 50 milhões perdidos pela empresa em Itaquitinga como a contribuição para sua campanha presidencial. Estavam presentes do encontro a esposa de Campos e Aldo Guedes, disse o empresário. “Se conseguir resolver esse imbróglio em Itaquitinga, se a gente tiver de volta os R$ 50 milhões, posso até voltar a contribuir.”
Menos de um mês depois, no dia 13 de agosto, Campos morreu em acidente aéreo em Santos (SP).

Em nota, o PSB afirmou que Campos foi citado “sem condições de se defender” e que o partido vai atuar “em todas as instâncias para que seu nome e sua honra jamais sejam maculados”.

 

ITAQUETINGA02


Veja também