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jun

Pedro Parente foi cuidar da vida dele

01 / jun
Publicado por Fernando Castilho às 14:30

 

 

Pedro Parente passou dois anos à frente da Petrobras, deu o maior lustro que um executivo pode dar no seu currículo e ainda, de quebra, tinha uma lista de empresas se oferecendo para ele ser o seu CEO. Mas a crise dos caminhoneiros o jogou no meio de uma confusão do governo em que boa parte do Congresso queira lhe ver pelas costas por ter passado a agregar mais um ponto negativo ao frágil governo Temer.

Parente mais do que ninguém sabe que sua missão na Petrobras terminara quando fechou o primeiro trimestre com luro de R$ 6,9 bilhões e que deveria ser manter no final de junho. Isso sem falar na redução de R$ 100 bilhões no endividamento da empresa. Chegou num nível em que nada de positivo agregaria a sua presença na companhia. Honesto com sua biografia esperou a greve acabar e entregar formalmente a carta de demissão ao meio dia de ontem.

A saída de Pedro Parente, não teve a participação dos congressistas, mas ela agrada a base aliada que já tinha exposto seu descontentamento. E porque ela avaliava que as demonstrações de que ele era “imexível” estavam transformando Pedro Parente numa figura mais importante do que o próprio presidente que, em última análise, é seu chefe na medida em que o Governo Federal é o acionista controlador da companhia.

Claro que Parente hoje é mais importante aos olhos do mercado que Michel Temer. Mas a União é quem decide como a Petrobras atua e não a empresa quem decide como o Governo deve se comportar.

Em dois anos, ele promoveu uma revolução da companhia que não era elogiada de fora, mas de dentro. O que pouca gente presta a atenção é que, no fundo, ele devolveu à Petrobras e aos petroleiros um certo sentido de pertencimento, na medida em que tirou as indicações políticas e os gerentes que se apadrinhavam com deputados para se manter no cargo e deixá-los roubar. Em dois anos, os empregados da Petrobras deixarem de ter vergonha de se apresentar como tal.

Por mais contraditório de isso possa parecer, não se deve esquecer que é a política quem faz a economia e não a economia quem faz a política. A saída de Pedro Parente não fará o governo mexer na política de preços que ele implantou. O próximo presidente da empresa vai continuar com ela e o Governo não vai mudar isso exatamente para demonstrar que apoia mesmo sendo o acionista controlador e não quer interferir na estratégia de mercado da empresa que dá credibilidade à companhia.

Então, a Petrobras vai levar um tombo no mercado, os deputados da base aliada estão felizes coma saída de Pedro Parente e a política de preços vinculado ao mercado vai se manter com o Governo usando essa independência para fazer os cortes que já queria fazer de forma a manter o déficit em R$ 159 bilhões.

E Pedro Parente vai cuidar da BRF agora com mais tempo para escolher o CEO que pode até ser ele mesmo para felicidade dos acionistas da companhia.


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