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Pedro Parente caiu por não conseguir perceber diferença entre política e economia

05 / jun
Publicado por Fernando Castilho às 11:40

Por Fernando Castilho do JC Negócios de 05/06/2018

Agora que Ivan Monteiro tomou posse e as ações da Petrobras subiram, ontem, 8,48%, na Bolsa de São Paulo, cabem dois minutos de conversa sobre o que levou à queda de Pedro Parente no meio da barafunda da greve dos caminhoneiros que parou o Brasil e todo seu sistema de abastecimento.

Pedro Parente não caiu quando, no dia 24 de maio, anunciou uma trégua de 15 dias nos reajustes de preços que não atendeu à categoria. Ele começou a cair muito antes de entregar a carta de demissão dia 1º de junho. Talvez porque, em algum momento, tenha pensado que a economia era quem comandava a política. Ao menos a política que ele desenvolveu na Petrobras. Não é assim. No mundo real é a política quem define a economia. Economista pode virar um bom gestor se, também, virar político e não será um bom político se continuar a ser só economista.

Pedro Parente começou a perder o lugar quando decidiu, a partir de 9 de fevereiro, corrigir os preços da gasolina e do diesel todos os dias sem avaliar a repercussão política da sua decisão. Entre as duas datas, o preço do diesel subiu 31,94%, na refinaria, e o da gasolina, 33,07%. Para uma inflação de menos de 1% no período pelo IPCA, convenhamos, foi um pouco demais.

A questão não era se deveria ou não mudar a política da Petrobras – que ele mesmo estabeleceu – e não sofrer qualquer interferência política partidária. A questão foi não perceber que sua estratégia iria de encontro à realidade política do País em crise. Em não avaliar que o seu prestígio na classe política começou a erodir quando foi sendo formada a tendência que, entre fevereiro e maio, fez os preços da gasolina e do diesel subirem mais de 32%.

A disparada não só serviu à toda construção ideológica do PT e das oposições lembrando Dilma e Lula, mas passou a ganhar consistência, também, junto à base aliada. A greve dos caminhoneiros, portanto, serviu de estopim do barril de pólvora num paiol de petróleo.

Claro que serviu ainda para justificar a política que o PT adotou no passado. Mas isso não tem a ver com estrutura de corrupção que ele desmontou na Petrobras. Corrupção é crime que, aliás, começa como deformação de caráter do gestor.


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