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O adeus à Cidade da Copa

02 / mar
Publicado por Giovanni Sandes às 15:14

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RASCUNHO: Projeto imobiliário chegaria a R$ 1,6 bilhão. Imagem: Divulgação

Comentário deste domingo (dia 1º) 

Náutico, Santa Cruz e Sport não seguram a queda livre de público na Arena da Copa, em São Lourenço da Mata. Casa vazia e prejuízos consecutivos, o estádio virou um elefante branco, quando deveria ancorar a Cidade da Copa, um projeto imobiliário que chegaria a R$ 1,6 bilhão. O que seria um bairro até com universidade é um sonho do qual o governo já se despede. O projeto que vendeu o Estado como subsede da Copa 2014, na era Eduardo Campos (PSB), hoje é inviável.

Como negócio, as premissas da arena provam-se irreais desde a licitação. Em junho de 2010, o governo obrigou-se a levar para o estádio, até 2043, 60 jogos por ano dos três clubes. Sem isso a obra não começaria. De tão impraticável, em dezembro de 2010, o Estado trocou jogos por dinheiro. A estimativa de receita da arena era de R$ 110 milhões ao ano. Sempre que o valor é 50% abaixo disso, a conta é pública. O problema é que, segundo o TCE, houve uma superestimativa. Com receita 81% abaixo do esperado, a indenização é rotina.

A inexistência da Cidade da Copa tem influência direta no rombo. Ela levaria gente para viver e trabalhar no entorno, levando público a jogos e eventos. Mas não há cidade ou bairro por uma falha no contrato, que não deu prazos para as etapas – por exemplo, que até 2015 fosse entregue um terço dos prédios. É tudo ou nada. E o governo já anunciou uma revisão de tudo, incluindo a viabilidade do projeto imobiliário.

A conclusão ainda vai sair. Mas leia o contexto. Há uma crise nacional, o mercado desabou e falta crédito devido à operação Lava Jato. Além disso, a única “punição” do contrato é para o caso de nada da Cidade da Copa sair: é o governo assumir o estádio e indenizar a Odebrecht. Por pior que soe, pode até ser mais barato. Para o governador Paulo Câmara (PSB), só ficaria o constrangimento de cancelar algo que nunca saiu.


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