04
mar

Desconhecido cancela R$ 395 milhões em pagamentos de Pernambuco

04 / mar
Publicado por Giovanni Sandes às 17:45

Usuário desconhecido
MISTÉRIO Governo diz não saber quem estornou 678 empenhos. Foto: Heudes Regis/ JC Imagem

 

Procura-se o Usuário CTB-BATCH. Trata-se de poderoso e enigmático personagem, misterioso e desconhecido, da época de Eduardo Campos (PSB). É uma pessoa sem nome, CPF, cargo, função ou qualquer identificação além desse nome técnico, assim mesmo, Usuário CTB-BATCH, que só existe no sistema de computador do governo estadual, o mesmo que autoriza bilhões de reais em pagamentos por ano, bastando para isso ter um login – o “nome de acesso” – e uma senha.

Pode parecer surpreendente, mas o Usuário CTB-BATCH não respondia a ninguém. De posse de sua senha, ele mesmo fez alguns cliques no computador e cancelou um total de R$ 395 milhões em 678 empenhos, já na fase de liquidação, de 17 áreas de governo. Só para explicar: após o empenho vem a liquidação, a última etapa antes do pagamento efetivo a um fornecedor do governo. Repetindo, eram 678 liquidações. Todas foram estornadas por ele.

O cancelamento feito pelo nosso ilustre desconhecido, concordaram nesta quarta (3) todos os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE), violou mesmo a mais elementar regra da contabilidade pública. Com todas as palavras, foi ilegal. Mas não teve contestação da Controladoria Geral do Estado ou da Secretaria da Fazenda na época.

É que isso ocorreu em dezembro de 2013 e resultou em uma maquiagem das contas públicas no sentido mais popular: os números ficaram mais bonitos, embora não tenha havido violação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Os pagamentos cancelados foram realizados no início de 2014. Mas desta vez foi o inverso: sem empenhos que autorizassem o pagamento.

Diante do mistério, o TCE perguntou ao governo: afinal, quem é o Usuário CTB-BATCH? Por incrível que pareça, está lá, por escrito. O governo estadual alegou não ter a menor ideia de como identificar essa pessoa. Mas foi ela sozinha, sem qualquer suporte de secretário ou outro superior hierárquico, que foi lá e mudou quase R$ 400 milhões em pagamentos. E fim de papo.


Veja também