04
fev

Em Pernambuco, entenda o paradoxo Paulo-Temer

04 / fev
Publicado por Giovanni Sandes às 11:18

Governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), e o presidente Michel Temer (PMDB). Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

 

A crise expõe várias contradições, a mais famosa o “paradoxo Teme”. É a contradição entre melhora econômica e crise eterna do governo Michel Temer (PMDB). Outra contradição curiosa é a torcida da gestão Paulo Câmara (PSB) pelo sucesso econômico de Temer, contra quem faz oposição. Em 22 de outubro passado escrevi sobre isso. Volto ao tema pois a leitura se reforça. É que, na época, o vice-governador Raul Henry (PMDB) avaliava que a recuperação econômica do País ajudaria a reeleger Paulo. Hoje o sucesso de Temer traria reequilíbrio às contas estaduais.

O gasto de Paulo com a folha (aposentadorias e salários) está perto de romper a Lei de Responsabilidade Fiscal. Só há 0,07% da margem legal disponível para a folha. Se ela acabar, o governo terá de cortar até 20% de comissionados, após contratar mais policiais, médicos e de ver uma forte alta nas aposentadorias por medo da reforma – a despesa subiu R$ 400 milhões, 18%. O PSB é oposição à reforma da Previdência. E hoje é justo essa despesa que pesa no caixa de Paulo. É um tipo de despesa que não recua.

O reequilíbrio rápido depende da receita. Com mais emprego, a arrecadação sobe, vem a folga no caixa e até a violência cai. É o paradoxo Paulo-Temer: oposição política, torcida econômica.


Veja também