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Caso Mirella: MPPE analisa hoje inquérito sobre morte de fisioterapeuta

19 / abr
Publicado por Raphael Guerra às 7:39

Fisioterapeuta foi assassinada em flat no bairro de Boa Viagem. Para a polícia, crime foi premeditado. Foto: TV Jornal/Reprodução
Fisioterapeuta foi assassinada em flat no bairro de Boa Viagem. Para a polícia, crime foi premeditado. Foto: TV Jornal/Reprodução

Uma semana após a conclusão do inquérito sobre o assassinato da fisioterapeuta Tássia Mirella Sena de Araújo, de 28 anos, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) vai analisar nesta quarta-feira (19) o indiciamento do comerciante Edvan Luiz da Silva, 32. A promotora responsável é Christiana Ramalho, que vai decidir se denuncia o suspeito à Justiça ou se pede novas diligências à polícia.

Edvan Luiz da Silva foi indiciado por estupro e por homicídio triplamente qualificado (assegurar a ocultação de outro crime, sem possibilidade de defesa da vítima e feminicídio). Apesar de negar o crime, segundo a polícia, provas materiais, como o DNA do comerciante encontrado nas unhas da vítima, comprovaram a responsabilidade dele. Tássia Mirella foi morta dentro do apartamento onde morava, em um flat no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife.

Entre as provas, apontadas em um laudo confeccionado por um médico legista do Instituto de Medicina Legal (IML), foram identificadas lesões espalhadas pelo corpo do suspeito, o comerciante Edvan Luiz da Silva, 32. As marcas demonstram que houve luta corporal entre vítima e assassino. A fisioterapeuta tentou se defender, resistiu até o fim, para não ser abusada sexualmente.

Comerciante suspeito de assassinar fisioterapeuta negou crime à polícia. Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Comerciante suspeito de assassinar fisioterapeuta negou crime à polícia. Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

Edvan está preso numa cela isolada no Presídio de Igarassu. Antes, por quatro dias, o suspeito permaneceu no Cotel, após a Justiça decretar a prisão preventiva dele (Leia o que disse a juíza sobre o caso).

Esposa do suspeito investigada

Apesar de o inquérito sobre o assassinato da fisioterapeuta ter sido concluído, o delegado Francisco Océlio continua as investigações sobre o caso. Isso porque ele está investigando contradições no depoimento da esposa de Edvan Luiz da Silva. A polícia suspeita que ela pode ter ocultado provas, entre elas a faca supostamente usada para matar a fisioterapeuta. A informação foi antecipada nessa quarta-feira (12) pela TV Jornal e pelo Ronda JC.

Segundo o delegado, a mulher teria entrado no apartamento onde morava com o comerciante, horas após o crime, sem autorização da polícia. O apartamento estava interditado porque iria, à noite, passar por uma perícia detalhada.”O apartamento estava interditado para preservação de vestígios. Somente depois de uma varredura, à noite, seria liberado. Nesse período, ela entrou, o que nos leva a acreditar que ela pode ter pego a arma (faca) e escondido”, disse Océlio.

A defesa negou que a esposa do suspeito tenha retirado qualquer objeto do apartamento antes da perícia.

Depoimentos

A esposa de Edvan prestou depoimento à polícia, na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na semana passada. Aparentando tranquilidade, a mulher, cujo nome será preservado, prestou depoimento por cerca de duas horas e meia. Ela estava acompanhada de um advogado.

Na saída, a esposa do suspeito não quis falar com a imprensa. No depoimento, segundo informações da polícia, ela demonstrou durante todo o depoimento acreditar na inocência do companheiro. Inclusive destacou que ele mantinha uma rotina normal e que nunca suspeitou de nenhum comportamento estranho dele.

Perícia em celular

A polícia ainda não revelou o conteúdo do celular do suspeito, que passou por perícia para identificar se no aparelho havia imagens, como fotos e vídeos, de vizinhas ou de outras mulheres. Isso porque pelo menos duas testemunhas revelaram aos investigadores que o comerciante assediava mulheres do flat onde vivia.

Uma das vizinhas ouvidas no DHPP afirmou que teria flagrado o suspeito fazendo imagens dela. A mulher teria, inclusive, reconhecido o modelo do celular de Edvan. Consta ainda no inquérito, um relato de uma testemunha que afirma que o suspeito já abordou vizinhas e, além de assediar, ofereceu drogas. A informação ainda está sendo apurada pela polícia.

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