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Indiciado por corrupção, chefe de fiscalização do DER-PE é exonerado

07 / jun
Publicado por Raphael Guerra às 9:28

Esquema de corrupção envolvia a fiscalização a determinadas empresas de ônibus. Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

Um dia após a Polícia Civil divulgar a conclusão de um inquérito que apurou um esquema de corrupção para beneficiar empresas de ônibus, o chefe de Fiscalização e Vistoria do Departamento de Estradas de Rodagem de Pernambuco (DER-PE), Laurent Licari, foi exonerado do cargo. Segundo a polícia, ele é um dos suspeitos de participação no esquema e foi indiciado por corrupção passiva. Detalhes do caso foram publicados com exclusividade pelo Ronda JC na segunda-feira.

Além de Laurent, foram indiciados o tenente-coronel Clóvis Fernando Pereira, que comandou o Batalhão da Polícia Rodoviária (BPRv) entre os anos de 2015 e 2016, por corrupção passiva, e os empresários Felipe Rodrigues de Melo, diretor executivo da empresa Asa Branca, e Osvaldo José dos Santos Farias, gerente operacional da Borborema. Os dois foram indiciados por corrupção ativa. De acordo com as investigações, fiscalizações eram direcionadas para três empresas de transporte específicas, com o objetivo de prejudicá-las e também para beneficiar às ligadas aos empresários envolvidos no esquema.

As fiscalizações ocorriam, em municípios como Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, e em Sirinhaém e Panelas, no Agreste.

O inquérito policial foi coordenado pela delegada Patrícia Domingos.

Provas

Entre as provas, estão registros de conversas por um aplicativo de celular, em que, segundo a polícia, o tenente-coronel presta conta a um dos empresários sobre as ações realizadas em desfavor das empresas concorrentes dele. Segundo uma das testemunhas, as fiscalizações eram coordenadas diretamente pelo ex-comandante e duravam, em média, 40 minutos, trazendo prejuízo e atrasos para os funcionários dos coletivos.

Depoimentos de policiais ligados ao BPRv também foram anexadas ao inquérito, encaminhado ao Ministério Público. A Decasp também fez um comparativo das multas aplicadas às empresas de um dos envolvidos e de familiares deles em relação às concorrentes, o que apontou uma relação “alarmante e desproporcional”.

A quebra de sigilo bancário do ex-comandante do BPRv também apontou valores em dinheiro incompatíveis com o salário que ele recebia na Polícia Militar. Cerca de R$ 65 mil sob suspeita. Para os investigadores, as quantias podem ter relação com o esquema de corrupção.

Respostas

Em entrevista ao Jornal do Commercio, o advogado Ademar Rigueira, responsável pela defesa de Felipe Rodrigues de Melo, negou as acusações relacionadas ao cliente. Já a defesa de Osvaldo não foi localizada.

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