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Caso Morato: SDS arquiva investigação contra peritos

12 / set
Publicado por Raphael Guerra às 13:33

Corpo de Paulo Morato, investigado pela Polícia Federal, foi encontrado dentro de motel em Olinda. Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem

Após dez meses, a Secretaria de Defesa Social (SDS) decidiu arquivar o procedimento administrativo aberto para investigar três peritos papiloscopistas responsáveis por laudos relacionados à morte do empresário Paulo César Morato, foragido da Polícia Federal na Operação Turbulência. A morte aconteceu em junho do ano passado. Na decisão, o secretário Antônio de Pádua pontuou que houve uma falha de comunicação entre os servidores e problemas no isolamento do local de morte, mas que isso não se configurou como um erro passível de responsabilização para os profissionais.

A polêmica teve início quando os peritos foram ao motel em Olinda onde o corpo de Morato foi encontrado para realizar uma nova perícia – no dia seguinte. Ao chegar no local, eles receberam ordens da chefia da Polícia Científica para deixar o local, pois os exames necessários já teriam sido realizados. A saída repentina dos profissionais, sem a nova perícia, levou a sociedade a questionar a estranha morte do empresário.

Na época, de acordo com peritos papiloscopistas ouvidos com exclusividade pelo Ronda JC, provas fundamentais para comprovar se mais alguém esteve com o empresário dentro do motel foram perdidas. Outra polêmica foi provocada pelo atropelos de informações e falha de comunicação entre os profissionais envolvidos na investigação com a cúpula da SDS.

As investigações da Corregedoria em desfavor dos peritos foram abertas em outubro do ano passado. No despacho, o delegado  Casimiro Ulisses, que na época respondia pelo expediente da Corregedoria da SDS, afirmou que um dos peritos investigados teria, em tese, trabalhado incorretamente, quanto a solicitação de manter o local isolado; quanto a necessidade de perícia complementar (…); os outros dois peritos teriam, de forma autônoma, sem comunicação a chefia imediata ou qualquer outra autoridade, efetuado deslocamento ao local da morte para a nova perícia.

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Inquérito sobre morte arquivado

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O processo sobre a morte do empresário Paulo César Morato foi arquivado pela Justiça. A decisão atendeu pedido do Ministério Público de Pernambuco. A promotora de Justiça Rosângela Padela seguiu a tese da Polícia Civil e pontuou que o empresário tirou a própria vida dentro do Motel Tititi, em Olinda. Segundo a promotora, as provas periciais do Instituto de Criminalística comprovaram que a morte de Morato foi um suicídio, e não um assassinato – como foi cogitado na época.

Paulo César Morato foi encontrado morto em 21 de junho deste ano –  um dia após a Operação Turbulência ser deflagrada pela Polícia Federal em Pernambuco. Ele estava sendo apontado como responsável por uma da empresas fantasmas responsáveis pela compra da aeronave usada pelo ex-governador Eduardo Campos, durante a campanha presidencial. Morato teria chegado sozinho ao motel em Olinda. Não ficou comprovado se outra pessoa esteve no local.

Após dois meses de investigações, a delegada Gleide Ângelo concluiu que a morte do empresário foi um suicídio. Atormentado pelo receio de ser preso, ele teria ingerido chumbinho dentro do quarto do motel. Segundo as investigações, não foi a primeira vez que o empresário tentou se matar.

 

 


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