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MPPE explica por que suspeito de abuso em ônibus está em liberdade

12 / set
Publicado por Raphael Guerra às 7:30

Ambulante teria ejaculado em mulher dentro de ônibus. Foto: TV Jornal/Reprodução

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) se pronunciou sobre a polêmica em torno da liberdade concedida a um ambulante de 23 anos preso em flagrante suspeito de ejacular em uma mulher dentro de um ônibus em Camaragibe. O caso aconteceu há uma semana, mas continua sob investigação da Polícia Civil. De acordo com a promotora de Justiça Tathiana Barros, não houve relato de violência ou grave ameaça à vítima, por isso a prisão preventiva do suspeito não foi decretada.

Para a promotora, houve um erro do delegado em enquadrar o crime como o de “constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”. Isso porque a própria vítima, em depoimento à polícia (leia abaixo), não falou sobre nenhum tipo de violência.

Segundo o MPPE, também “não consta nos autos menção a líquido ou ejaculação; não tem nada também que cite sobre esse líquido no auto de apreensão, nem tampouco, nos autos do processo consta ofício de encaminhamento desse líquido para perícia”. Apesar disso, o Instituto de Criminalística informou, na semana passada, que fez uma análise preliminar no guardanapo usado pela vítima e que não foi encontrado sêmen. Uma perícia mais detalhada está em produção no laboratório de DNA.

A promotora ainda levou em consideração no parecer para pedir a liberdade do ambulante, durante audiência de custódia, que ele não tem antecedentes criminais, tem endereço fixo e trabalho, além de ser réu primário. Ele ficará em liberdade, mas responderá a processo e pode, ao final, vir a ser preso caso seja condenado.

Leia o depoimento da vítima, que consta no inquérito policial:
“A vítima, por volta das 19h50, estava sentada no ônibus que faz a linha Macaxeira/TI/Camaragibe, quando ao chegar ao terminal de Camaragibe, um homem estava no interior do coletivo onde a vítima estava. Ele se aproximou e perguntou se ela queira comprar chicletes e ela respondeu que não. Posteriormente, ela sentiu em seu ombro esquerdo uma coisa quente. Quando a vítima se virou e olhou por baixo da bolsa dele, visualizou que ele estava com o ‘pênis’ para fora da bermuda, esfregando o órgão no braço dela. Quando ela olhou e viu aquilo ela levantou e chamou ele de ‘sem vergonha’. Ele dizia ‘você está louca, você está louca’ e pegou uma água e começou a tomar, descendo tranquilamente do ônibus. Ao descer do veículo a vítima foi comprar uma água mineral pois estava muito nervosa. Avistou os seguranças do Terminal de Camaragibe e narrou tudo o que tinha acontecido no coletivo. Nesse momento que ela estava falando com os seguranças ela visualizou o homem se preparando para embarcar na mesma linha. ela chamou os seguranças para ir pegar ele no coletivo. Os seguranças foram bem prestativos e abordaram o homem, Que ele negou para os seguranças que tivesse feito aquilo. Os seguranças perguntaram a ela, se ela queria acionar a Polícia. A vítima respondeu que sim. Os seguranças colocou (SIC) o homem na salinha deles e acionaram a Polícia Militar (…).”

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