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Um monólogo sobre a escravidão à espera de encenadores

20 / nov
Publicado por Mateus Araújo às 0:00

O escritor e tradutor paulista Alex Castro. Foto: Claudia Regina/Divulgação
O escritor e tradutor carioca Alex Castro. Foto: Claudia Regina/Divulgação

Colaboração de Diogo Guedes, repórter do JC.

O escritor e tradutor carioca Alex Castro está à procura de encenadores para montar a versal teatral de seu recém-lançado A Autobiografia do Poeta-Escravo (Hedra). O livro foi criado a partir de um texto escrito de próprio punho pelo poeta e escravo cubano Juan Francisco Manzano.

Inédito até então em português, o relato forte mostra a situação de uma pessoa submetida a escravidão em condições parecidas com a brasileira. Uma das singularidades da obra é que ela, em português, ganhou duas versões: uma tradução “formal”, que obedece à norma culta, e outra que é uma transcriação da voz de Manzano, com seus desvios e seu próprio estilo.

 

Divulgação
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“Em outros relatos de escravos, eles contam suas histórias para um abolicionista que a reescreve. O ex-escravo, assim, não tem muita agência, tem pouca autonomia, só é a matéria-prima”, aponta Castro. “Manzano escreveu com o próprio punho, com uma capacidade verbal e estilística que ele conquistou sozinho, a duras penas. Os seus ‘erros’ são documentos históricos. A escravidão deixou marcas na pele e nas palavras dele. É importante ler algo assim e pensar: ‘É isso o que a escravidão faz com a voz de alguém’.”

>> Leia também: O horror da escravidão contado além dos números

A transcriação, além de tudo, foi transformada na base para um monólogo teatral. “Tenho o texto pronto e queria uma companhia negra para encená-lo, mas, como não sou da área, tenho dificuldade de encontrar uma. Acho que é bem forte: eu queria ver a voz dele no palco”, confessa Castro.

 

 

 


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