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nov.

‘Dois’ e Zanni encerram o Festival de Circo do Brasil

13 / nov.
Publicado por Márcio Bastos às 14:23

O Festival de Circo do Brasil deu mais uma demonstração de como essa arte é diversificada e está em constante transformação, com a adição de novos elementos ao seu repertório e a busca por outras maneiras de se trabalhar com números tradicionais. Exemplo disso são os espetáculos que foram apresentados pelo Circo Zanni (São Paulo) e os irmãos Luis e Pedro Sartori (Minas Gerais/Finlândia) no fim de semana passado. Cada um com suas particularidades, eles estavam entre as últimas atrações da 12ª edição do evento, que termina neste domingo (13/11) e receberam uma resposta calorosa do público que encheu o Teatro Luiz Mendonça e o Santa Isabel.

Circo Zanni. Foto: Divulgação
Circo Zanni. Foto: Divulgação

O teatro do Dona Lindu teve seu palco ocupado pelo picadeiro contemporâneo do Circo Zanni, com direito a trapézio e arame para o número de equilibrismo, por exemplo. Os artistas circulam por uma casa que possui portas e janelas coloridas e é adornada com cordões de luzes. O aspecto lúdico da estrutura dialoga bem com a proposta do show de variedades.

A pequena casa também abriga instrumentos musicais, com os quais os artistas se alternam para executar a trilha sonora ao vivo, e guarda objetos que vão sendo retirados por eles aos poucos. Entre os itens, uma poltrona que se revela uma compacta cama elástica para acrobacias. Além dos números aéreos, acrobáticos e de equilíbrio, havia também ilusionismo e palhaçaria – e eles fizeram o público se envolver.

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O palhaço, aliás, trouxe parte do público para o palco. Três homens foram convidados a subir e interpretar os anões em uma versão da história de Branca de Neve. Eles entraram na brincadeira e receberam os aplausos do público, que também demonstrava sua conexão em momentos como o de incentivar uma artista a fazer mais uma tentativa de concluir seu número no arame como planejado (e ela alcançou seu objetivo).

Circo Zanni reúne artistas de diferentes companhias que atuam em São Paulo. Ele tem direção artística de Domingos Montagner e direção musical de Marcelo Lujan. Domingos, que faleceu em setembro, e já esteve no Recife como atração do mesmo festival, foi homenageado ao final do espetáculo. Um dos artistas ressaltou que eles tiveram muitos momentos felizes com o ator, dentro e fora do palco, e que terminariam dizendo um “até a próxima” para o público, como ele costumava fazer.

Enquanto as pessoas deixavam o teatro após muitos aplausos, já havia uma fila do lado de fora para a próxima sessão e, do outro lado da cidade, também havia gente chegando ao Teatro de Santa Isabel. No espetáculo Dois, Luis e Pedro interpretam nuances da relação entre irmãos com poesia e comicidade.

'Dois', de Luis e Pedro Sartori. Foto: Nikola Milatovic/Divulgação
‘Dois’, de Luis e Pedro Sartori. Foto: Nikola Milatovic/Divulgação

A apresentação começa com os dois montando um mesmo arco e essa ideia de soma vai reaparecendo com outras configurações ao longo da performance. Assim como ocorre com o arco e flecha, que ressurge em contextos nos quais se ressalta a simbologia do objeto, destaca o virtuosismo da pontaria, expressa rivalidade e humor ou mesmo se cria um efeito estético no palco.

Esse último item refere-se ao trecho do espetáculo em que as flechas são disparadas com fios presos a elas, criando um traçado que os artistas aproveitam em sua movimentação (lembra uma cama de gato, que os desafia em movimentos acrobáticos). O palco, em geral, fica bem limpo. Além de uma pequena mesa e de alguns alvos espalhados, ele muda apenas com a colocação de um tecido utilizado como parte de um teatro de sombras. A dupla também é econômica nas palavras e se comunica com o público por gestos, especialmente nos momentos cômicos, como o que tem início com comparações físicas entre irmãos.

Por falar nesta relação, Luis e Pedro costuram sequências que, quanto aos temas, exploram o dualismo da rivalidade e complementaridade. E estas dialogam com as próprias dualidades dos números circenses, como o risco e a segurança. Se às vezes eles se enfrentam, em outros casos precisam confiar um no outro para continuar.

Programação deste domingo (13/11), último dia do 12º Festival de Circo do Brasil:

16h – Carpinteiros em Domicílio, da Cia. Suno (SP) / Teatro Apolo
16h30 – Circo Zanni (SP) / Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu)
16h30 – Carrilhão, do Coletivo Nopok (RJ) / Portátil: Praça do Arsenal (Bairro do Recife)
19h – Dois / Teatro Santa Isabel


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