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Agora vai? Teatro do Parque tem obras retomadas

14 / jun
Publicado por Márcio Bastos às 14:39

Alguns transeuntes que passaram recentemente pela Rua do Hospício, no bairro da Boa Vista, tiveram uma surpresa: o Teatro do Parque, equipamento localizado no número 81 da via, teve as obras retomadas. Fechado desde 2010, o espaço centenário estava com a reforma parada desde 2015.
Palco de momentos marcantes da cultura recifense, com atividades a preços populares, o Cine-Teatro teve suas atividades interrompidas em 2010 durante a gestão João da Costa. A alegação para tanto foi de caráter emergencial: problemas de drenagem e infiltração estavam comprometendo a estrutura do local.
Reforma do teatro deve durar 18 meses. Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
Em 2012, foi declarado imóvel especial de preservação devido ao seu valor histórico e cultural e, já na gestão Geraldo Julio, foi garantida a abertura no centenário do equipamento, que seria celebrado dia 24 de agosto de 2015 – o que não aconteceu. No primeiro momento da obra, 95% do telhado foi trocado, assim como a drenagem. O custo foi de R$ 1,1 milhão.
No entanto, desde este primeiro momento, no ano no centenário, as obras pararam (a PCR alegou falta de recursos) e o Teatro do Parque virou um símbolo do descaso com a cultura. Artistas, políticos e até o Ministério Público se mobilizaram pela reabertura, com protestos e, agora, finalmente, a engrenagem parece ter voltado a rodar.
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As obras de reforma estruturais foram retomadas no início de maio e estão a cargo da MultiCon Engenharia. Os trabalhos têm previsão de durar 18 meses e já têm garantidos R$ 5,6 milhões de recursos da Prefeitura e R$ 3 milhões de aporte direto do Ministério da Cultura. A Prefeitura também lançou edital para reforma das poltronas do teatro no valor de R$ 456 mil, a serem executados com recursos próprios.
O referencial do restauro é a obra de 1929, quando o equipamento se tornou um Cine-Teatro. A equipe já sabe, por exemplo, qual o piso original ou as cores das paredes, e respeitará características da decoração do espaço.  “Durante o período em que a obra ficou parada, a gente aprofundou os estudos e as pesquisas do teatro, que é um edifício histórico de mais de 100 anos que sofreu grandes intervenções que alteraram suas características. Nunca sofreu um restauro de fato. Antes de licitar, a gente tinha o teatro fechado e esses estudos são como cirurgias exploratórias, você está doente, não sabe o que tem, e tem que abrir para descobrir o que tem. Eu não pude fazer isso porque tinha que fazer uma licitação. Na primeira etapa, a gente pode aprofundar os estudos e hoje temos a linha de restauro definida”, afirmou a arquiteta Simone Ozias, gerente geral de projetos no Gabinete de Projetos Especiais.
Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
Quanto às adequações para garantir 100% de acessibilidade, exigidas pela Caixa Econômica Federal, Simone contra-argumentou com o Ministério Público que por se tratar de um imóvel histórico, isso não era possível sem alterar características do local. Mas, que o projeto atual, está dentro das regras que garantem o acesso de portadores de necessidades especiais. “A gente vai deixar a infraestrutura pronta para receber o equipamento”, garante a arquiteta.
No primeiro salão, logo na entrada do Parque, será montado um memorial para resgate da memória do espaço, ressaltando sua história para a cidade. Outra iniciativa será trazer de volta a Cinemateca Alberto Cavalcanti, que possui mais de 490 VHSs e 500 DVDs, atualmente armazenada no Forte das Cinco Pontas. O Parque, atualmente, está em processo de tombamento pela Fundarpe.
“No total, a obra deve custar cerca de R$ 10 milhões. No futuro, vamos lançar licitação para os equipamentos, como o projetor de tecnologia 4k, toda a parte de sinalização e segurança. Acreditamos que vamos lançar antes do fim da obra. Vamos fazer um trabalho de captação, buscando parceiros privados, aproveitar a Lei Rouanet”, enfatizou Diego Rocha, presidente da Fundação de Cultura do Recife.

JUNTOS PELO TEATRO DO PARQUE

Mobilizados para não deixarem o movimento em prol da reabertura arrefecer, artistas já marcaram para sábado, às 18h, a segunda edição da Virada Cultural do Teatro do Parque. O evento gratuito reunirá várias atividades, como o Som na Rural e apresentação de Helder Vasconcelos.
“A Virada Cultural foi um protesto contra o descaso com nosso maior equipamento cultural, virou movimento ativista desde 26 de agosto de 2017. Vimos a gravidade da questão e constatamos que não bastaria fazer um dia de protesto. Portanto, estamos nos reunindo todas as segundas-feiras na frente do teatro com apresentações artísticas, mas também com muita informação sobre o teatro. Duas vezes por mês a comissão de acompanhamento às obras se reúne”, explica o ator e diretor Diógenes D. Lima, um dos idealizadores do movimento.
Mais informações sobre a programação do Arraial do Teatro do Parque podem ser encontradas na página do evento no Facebook.


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