03
jul

Financiamento coletivo arrecada valor para levar peça censurada a Garanhuns

03 / jul
Publicado por Márcio Bastos às 16:26

Peça protagonizada por Renata Carvalho já foi vítima de tentativas de censura em outas cidades. Foto: Leonardo Pastor/Divulgação

A mobilização de artistas para levar a peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu a Garanhuns funcionou. Em menos de 30 horas, a campanha de financiamento coletivo arrecadou os R$ 6 mil reais necessários para arcar com os custos das passagens da atriz Renata Carvalho, da diretora Natalia Mallo e da produtora Gabriela Gonçalves. O monólogo foi tirado da programação oficial do Festival de Inverno de Garanhuns após pressão da prefeitura e da Diocese da cidade. Mas, ainda dá tempo de contribuir, pois o valor excedente que for arrecadado será revertido em cachê para a equipe, que vai à cidade em esquema de resistência.

A proibição do espetáculo teve repercussão nacional e tem sido apontada como mais um episódio de transfobia institucionalizada. Isso porque Renata, uma mulher trans, vivencia no trabalho a figura de Jesus. Na peça, o profeta cristão volta à terra como uma travesti. O texto levante discussões necessárias sobre empatia e respeito e foi apresentado no início de junho, dentro do Trema! Festival de Teatro. Na ocasião, a peça lotou o Teatro Apolo, onde foi ovacionada sem qualquer tipo de polêmica.

LEIA TAMBÉM
>> Grupo se mobiliza para levar ‘O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu’ a Garanhuns
>> FIG 2018: Prefeito tenta barrar ‘O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu’
>> ‘O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu’ e a cruz do preconceito

ENTENDA O EPISÓDIO QUE LEVOU À CENSURA DA PEÇA:

O trabalho foi retirado da programação do FIG após o prefeito Izaías Régis (PTB) afirmar, na última sexta-feira (29), que não deixaria que a obra fosse apresentada em equipamentos culturais do município. O secretário de Cultura do Estado, Marcelino Granja, rebateu e disse que o Governo não iria recuar, ressaltando que a peça seria exibida para um público adulto.

Porém, no sábado (30), Dom Paulo Jackson, bispo da Diocese de Garanhuns, lançou uma nota criticando o conteúdo do espetáculo e afirmou que “a liberdade de expressão artística não pode ferir o sentimento religioso e a identidade cristã de uma inteira população”. O religioso disse que não entraria em nenhuma frente para impedir a apresentação, mas que, caso o Estado mantivesse a peça, proibiria que a Igreja Catedral fosse utilizada no FIG (o espaço recebe concertos de música clássica durante o festival). Diante dessa ameaça, o governo recuou e cancelou o espetáculo.


Veja também